Apostila Contabilidade Geral I - Teoria



Captulo 1  Evoluo Histrica da Contabilidade          Prof. Moreira




 
         
            Para os Cursos de Cincias Contbeis e 
            Administrao de Empresas 




                        PROF. ANTONIO MOREIRA FRANCO JR
Captulo 1  Evoluo Histrica da Contabilidade                                                                   Prof. Moreira 




                                                     SUMRIO 

CAPTULO 1 - EVOLUO HISTRICA DA CONTABILIDADE .................................. 5
1.1 INTRODUO .......................................................................................................... 5
1.2 EVOLUO DA CINCIA CONTBIL ...................................................................... 6
  1.2.1 Perodo Antigo .................................................................................................... 6
  1.2.2 Perodo Medieval ................................................................................................ 8
  1.2.3 Perodo Moderno ................................................................................................ 9
  1.2.4 Perodo Cientfico.............................................................................................. 11
CAPTULO 2 - NOES PRELIMINARES................................................................... 13
2.1 CAMPO DE APLICAO DA CONTABILIDADE .................................................... 13
  2.1.1 Pessoa Fsica ................................................................................................... 13
  2.1.2 Pessoa Jurdica ................................................................................................ 13
  2.1.3 Sociedades Empresrias .................................................................................. 14
     2.1.3.1 Sociedades Limitadas ................................................................................ 15
     2.1.3.1 Sociedades Annimas ................................................................................ 17
2.2 CONCEITO DE CONTABILIDADE .......................................................................... 18
2.3 USURIOS DA CONTABILIDADE .......................................................................... 19
2.4 RAMOS DA CONTABILIDADE ................................................................................ 20
2.5 A CONTABILIDADE COMO PROFISSO .............................................................. 20
2.6 RESPONSABILIDADE DO PROFISSIONAL........................................................... 21
CAPTULO 3 - O PATRIMNIO ................................................................................... 24
3.1 CONCEITO.............................................................................................................. 24
3.2 BENS ....................................................................................................................... 24
3.3 DIREITOS................................................................................................................ 25
3.4 OBRIGAES ........................................................................................................ 25
3.5 REPRESENTAO GRFICA DO PATRIMNIO .................................................. 26
3.6 ELEMENTOS PATRIMONIAIS ................................................................................ 27
3.7 PATRIMNIO LQUIDO .......................................................................................... 27
  3.7.1 Situaes ou Estados Patrimoniais ................................................................... 29
CAPTULO 4 - CONTABILIDADE POR BALANOS SUCESSIVOS I ........................ 31
4.1 BALANOS SUCESSIVOS ..................................................................................... 31
4.2 OPERAES .......................................................................................................... 31
CAPTULO 5 CONTAS DE RESULTADO .................................................................... 36
5.1 RECEITAS............................................................................................................... 36
5.2 DESPESAS ............................................................................................................. 36
5.3 APURAO DO RESULTADO ............................................................................... 38
5.4 REGIME DE COMPETNCIA ................................................................................. 38
5.5 REGIME DE CAIXA ................................................................................................. 39
5.6 REGIME DE COMPETNCIA  REGIME DE CAIXA ............................................. 39
CAPTULO 6 - CONTABILIDADE POR BALANOS SUCESSIVOS II ....................... 41
6.1 ATIVO  DESPESA ................................................................................................. 41
6.2 OPERAES .......................................................................................................... 42
CAPTULO 7 - DEMONSTRAES CONTBEIS ....................................................... 51
7.1 CONCEITO.............................................................................................................. 51
7.2 DEMONSTRAES CONTBEIS OBRIGATRIAS .............................................. 51
  7.2.1 Incluso da DLPA na DMPL ............................................................................. 52
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  7.2.2 Demonstraes Financeiras de Sociedades de Grande Porte ......................... 53
7.3 COMPLEMENTAO S DEMONSTRAES CONTBEIS ................................ 53
  7.3.1 Relatrio da Administrao ............................................................................... 53
  7.3.2 Notas Explicativas ............................................................................................. 54
  7.3.3 Parecer dos Auditores....................................................................................... 54
7.4 PERODO DE APRESENTAO ............................................................................ 54
7.5 REQUISITOS PARA PUBLICAO ........................................................................ 55
CAPTULO 8 - BALANO PATRIMONIAL .................................................................. 57
8.1 INTRODUO ........................................................................................................ 57
8.2 ORIGENS E APLICAES DE RECURSOS.......................................................... 58
8.3 CONCEITO DE CURTO E LONGO PRAZOS ......................................................... 58
8.4 GRUPOS DE CONTAS DO ATIVO ......................................................................... 59
  8.4.1 Ativo Circulante ................................................................................................. 60
  8.4.2 Ativo Realizvel a Longo Prazo ........................................................................ 60
  8.4.3 Ativo Permanente.............................................................................................. 61
8.5 GRUPOS DE CONTAS DO PASSIVO .................................................................... 61
  8.5.1 Passivo Circulante ............................................................................................ 62
  8.5.2 Passivo Exigvel a Longo Prazo ........................................................................ 62
  8.5.3 Patrimnio Lquido ............................................................................................ 62
8.6 BALANO PATRIMONIAL  UM RESUMO ............................................................ 63
8.7 DELIBERAO CVM 488/2005 .............................................................................. 63
CAPTULO 9 - DEMONSTRAO DO RESULTADO DO EXERCCIO ...................... 64
9.1 EFEITO DO LUCRO NO BALANO ....................................................................... 64
9.2 DEMONSTRAO DO RESULTADO DO EXERCCIO .......................................... 66
9.3 COMO APURAR A RECEITA BRUTA..................................................................... 66
9.4 COMO APURAR A RECEITA LQUIDA .................................................................. 66
9.5 COMO APURAR O LUCRO BRUTO ....................................................................... 68
9.6 DIFERENA ENTRE DESPESA E CUSTO ............................................................ 68
9.7 COMO APURAR O RESULTADO OPERACIONAL ................................................ 69
9.8 COMO APURAR O RESULTADO ANTES DO IR E CS .......................................... 70
9.9 COMO APURAR O RESULTADO ANTES DAS PARTICIPAES ........................ 71
9.10 COMO APURAR O RESULTADO LQUIDO ......................................................... 72
9.11 ESTRUTURA COMPLETA DA DRE...................................................................... 73
CAPTULO 10 - ATOS E FATOS ADMINISTRATIVOS ............................................... 74
10.1 ATOS ADMINISTRATIVOS ................................................................................... 74
10.2 FATOS ADMINISTRATIVOS ................................................................................. 74
  10.2.1 Fatos Permutativos ......................................................................................... 75
  10.2.2 Fatos Modificativos ......................................................................................... 76
  10.2.3 Fatos Mistos .................................................................................................... 76
CAPTULO 11 - PRINCPIOS FUNDAMENTAIS DE CONTABILIDADE ..................... 78
11.1 CONCEITO ............................................................................................................ 78
11.2 POSTULADOS ...................................................................................................... 78
  11.2.1 Entidade .......................................................................................................... 78
  11.2.2 Continuidade ................................................................................................... 79
11.3 PRINCPIOS .......................................................................................................... 79
  11.3.1 Denominador Comum Monetrio .................................................................... 79
  11.3.2 Competncia ................................................................................................... 79
  11.3.3 Custo Histrico como Base de Valor............................................................... 80
11.4 CONVENES ..................................................................................................... 80
  11.4.1 Objetividade .................................................................................................... 80
  11.4.2 Conservadorismo ou Prudncia ...................................................................... 80

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  11.4.3 Materialidade .................................................................................................. 81
  11.4.4 Consistncia ou Uniformidade ........................................................................ 81
CAPTULO 12 - PLANO DE CONTAS ......................................................................... 82
12.1 INTRODUO ...................................................................................................... 82
12.2 CODIFICAO DAS CONTAS ............................................................................. 83
12.3 DENOMINAO DAS CONTAS ........................................................................... 84
12.4 MODELO DE PLANO DE CONTAS ...................................................................... 84
CAPTULO 13 - DBITO E CRDITO .......................................................................... 90
13.1 INTRODUO ...................................................................................................... 90
13.2 MTODO DAS PARTIDAS DOBRADAS............................................................... 90
13.3 NATUREZA DAS CONTAS ................................................................................... 90
13.4 RAZONETE ........................................................................................................... 92
13.5 EXEMPLO PRTICO ............................................................................................ 93
CAPTULO 14 - BALANCETE DE VERIFICAO ...................................................... 97
14.1 INTRODUO ...................................................................................................... 97
14.2 EXEMPLO DE BALANCETE ................................................................................. 97
14.3 IDENTIFICAO DO ERRO ................................................................................. 99
14.4 ERROS NO DETECTADOS................................................................................ 99
CAPTULO 15 - APURAO DO RESULTADO ........................................................ 101
15.1 CONTAS DE RESULTADO ................................................................................. 101
15.2 CONTABILIZAO DAS CONTAS DE RESULTADO ........................................ 101
15.3 LANAMENTOS DE ENCERRAMENTO ............................................................ 102
15.4 APURAO DO RESULTADO ........................................................................... 103
15.5 CONTABILIZAO DO RESULTADO ................................................................ 103
15.6 ESTUDO DE CASO............................................................................................. 105
  15.6.1 Lanamentos nos Razonetes ........................................................................ 105
  15.6.2 Primeiro Balancete de Verificao ................................................................ 108
  15.6.3 Lanamentos de Encerramento .................................................................... 109
  15.6.4 Contabilizao do Resultado ........................................................................ 109
  15.6.5 Balancete Final ............................................................................................. 110
  15.6.6 Demonstrao do Resultado e Balano Patrimonial ..................................... 110
CAPTULO 16 - ESCRITURAO CONTBIL .......................................................... 112
16.1 LIVRO DIRIO .................................................................................................... 112
16.2 LIVRO RAZO .................................................................................................... 114
16.3 ESCRITURAO POR PROCESSAMENTO ELETRNICO ............................. 114
16.4 VANTAGENS DA ESCRITURAO CONTBIL ................................................ 115
16.5 PADRONIZAO DE HISTRICOS ................................................................... 115
16.6 RESPONSABILIDADE PELA ESCRITURAO ................................................. 117
BIBLIOGRAFIA........................................................................................................... 118




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                       CAPTULO 1
          EVOLUO HISTRICA DA CONTABILIDADE



1.1 INTRODUO

A histria da Contabilidade  to antiga quanto a prpria Histria da Civilizao e du-
rante um longo perodo, foi tida como a arte da escriturao mercantil. Utilizava tcni-
cas especficas que se foram aperfeioando e especializando.


Nos primeiros tempos da Humanidade havia apenas o senso do coletivo em tribos pri-
mitivas. Com o rompimento da vida comunitria surgiram as divises e o senso de pro-
priedade. Assim, cada pessoa criava sua riqueza individual.


Ao morrer, o esplio deixado pelo indivduo era passado como herana aos filhos ou
parentes. A herana recebida dos pais (pater, patris), denominou-se patrimnio. O ter-
mo passou a ser utilizado para quaisquer valores, mesmo que estes no tivessem sido
herdados.


A origem da Contabilidade est ligada  necessidade de registros do comrcio. O
homem enriquecia, e isso impunha o estabelecimento de tcnicas para controlar e pre-
servar os seus bens.  medida que o homem comeava a possuir maior quantidade de
valores, preocupava-lhe saber quanto poderiam render e qual a forma mais simples de
aumentar as suas posses; tais informaes no eram de fcil memorizao quando j
em maior volume, requerendo registros.


Foi o pensamento do "futuro" que levou o homem aos primeiros registros a fim de que
pudesse conhecer as suas reais possibilidades de uso, de consumo, de produo etc.




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Com o surgimento das primeiras administraes particulares aparecia a necessidade
de controle, que no poderia ser feito sem o devido registro, a fim de que se pudesse
prestar conta da coisa administrada.


O desenvolvimento do papiro (papel) e do clamo (pena de escrever) no Egito antigo
facilitou extraordinariamente o registro de informaes sobre negcios.


 medida que as operaes econmicas se tornam complexas, o seu controle se refi-
na. No perodo medieval, diversas inovaes na Contabilidade foram introduzidas por
governos locais e pela igreja.



1.2 EVOLUO DA CINCIA CONTBIL

Podemos resumir a evoluo da cincia contbil da seguinte forma: Perodo Antigo,
Perodo Medieval, Perodo Moderno e Perodo Cientfico.



1.2.1 Perodo Antigo

A Contabilidade emprica praticada pelo homem primitivo, j tinha como objeto, o Pa-
trimnio, representado pelos rebanhos e outros bens nos seus aspectos quantitativos.


Os primeiros registros processaram-se de forma rudimentar, na memria do homem.
Como este  um ser pensante, inteligente, logo encontrou formas mais eficientes de
processar os seus registros, utilizando gravaes e outros mtodos alternativos.


O inventrio exercia um importante papel, pois a contagem era o mtodo adotado para
o controle dos bens, que eram classificados segundo sua natureza: rebanhos, metais,
escravos etc. A palavra Conta designa o agrupamento de itens da mesma espcie.


As primeiras escritas contbeis datam do trmino da Era da Pedra Polida, quando o
homem conseguiu fazer os seus primeiros desenhos e gravaes. Os registros combi-
navam o figurativo com o numrico. Gravava-se a cara do animal cuja existncia se
queria controlar e o nmero correspondente s cabeas existentes.

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Com a dinamizao do Sistema Contbil, os registros se tornaram dirios e, posterior-
mente, foram sintetizados em papiros ou tbuas, no final de determinados perodos, o
que lembra o dirio, o balancete mensal e o balano anual.


J se estabelecia o confronto entre variaes positivas e negativas. Reconhecia-se a
receita, a qual era confrontada com a despesa.


Os egpcios legaram um riqussimo acervo aos historiadores da Contabilidade, e seus
registros remontam a 6.000 anos antes de Cristo. A escrita no Egito era fiscalizada pelo
Fisco Real, o que tornava os escriturrios zelosos e srios em sua profisso. O invent-
rio revestia-se de tal importncia, que a contagem do boi, divindade adorada pelos e-
gpcios, marcava o incio do calendrio adotado. Inscreviam-se bens mveis e imveis,
e j se estabeleciam, de forma primitiva, controles administrativos e financeiros.


As Partidas de Dirio assemelhavam-se ao processo moderno: o registro iniciava-se
com a data e o nome da conta, seguindo-se quantitativos unitrios e totais, transporte,
se ocorresse, sempre em ordem cronolgica de entradas e sadas.


Pode-se citar, entre outras contas: Conta de Pagamento de Escravos, Conta de
Vendas Dirias, Conta Sinttica Mensal dos Tributos Diversos, etc.


Tudo indica que foram os egpcios os primeiros povos a utilizar o valor monetrio em
seus registros. Usavam como base, uma moeda, cunhada em ouro e prata, denomina-
da "Shat". Era a adoo, de maneira prtica, do Princpio do Denominador Comum
Monetrio.


H interessantes relatos bblicos sobre controles contbeis, um dos quais no tempo de
Jos, no Egito, houve tal acumulao de bens que perderam a conta do que se tinha
(Gnesis 41:49).


Houve um homem muito rico, de nome J, cujo patrimnio foi detalhadamente descrito
no livro de J, captulo 1, verso 3. Depois de perder tudo, ele recupera os bens, e um
novo inventrio  apresentado em J, captulo 42, verso 12.




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Os bens e as rendas de Salomo tambm foram inventariados (I Reis 4:22-26 e 10:14-
17).


Em uma parbola de Jesus, h citao de um construtor, que faz contas para verificar
se o que dispunha era suficiente para construir uma torre (Lucas 14:28-30).


Ainda, se relata a histria de um devedor, que foi perdoado de sua dvida registrada
(Mateus 18:23-27).


Tais relatos comprovam que, nos tempos bblicos, o controle de ativos era prtica co-
mum.



1.2.2 Perodo Medieval

Na Itlia, em 1202, foi publicado o livro Liber Abaci, de Leonardo Pisano. Estudavam-
se, na poca, tcnicas matemticas, pesos e medidas, cmbio, etc., tornando o homem
mais evoludo em conhecimentos comerciais e financeiros.


Se os sumrios-babilnios plantaram a semente da Contabilidade e os egpcios a rega-
ram, foram os italianos que fizeram o cultivo e a colheita.


Foi um perodo importante na histria do mundo, especialmente na histria da Contabi-
lidade. A indstria artesanal proliferou com o surgimento de novas tcnicas no sistema
de minerao e metalurgia. O comrcio exterior incrementou-se por intermdio dos ve-
nezianos, surgindo, como conseqncia das necessidades da poca, o Livro-Caixa,
que recebia registros de recebimentos e pagamentos em dinheiro. J se utilizavam, de
forma rudimentar, o Dbito e o Crdito, oriundos das relaes entre direitos e obriga-
es, e referindo-se, inicialmente, a pessoas.


O aperfeioamento e o crescimento da Contabilidade foram a conseqncia natural das
necessidades geradas pelo advento do capitalismo, nos sculos XII e XIII. O processo
de produo na sociedade capitalista gerou a acumulao de capital, alterando-se as
relaes de trabalho. O trabalho escravo cedeu lugar ao trabalho assalariado, tornando


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os registros mais complexos. No sculo X, apareceram as primeiras corporaes na
Itlia, transformando e fortalecendo a sociedade burguesa.


No final do sculo XIII apareceu, pela primeira vez a conta Capital, representando o
valor dos recursos injetados nas companhias pela famlia proprietria.
No incio do Sculo XIV, j se encontravam registros explicitados de custos comerciais
e industriais, nas suas diversas fases: custo de aquisio; custo de transporte e dos
tributos; juros sobre o capital, referente ao perodo transcorrido entre a aquisio, o
transporte e o beneficiamento; mo-de-obra direta agregada; armazenamento; tingi-
mento etc., o que representava uma apropriao bastante analtica para poca. A escri-
ta j se fazia no moldes de hoje, considerando, em separado, gastos com matrias-
primas, mo-de-obra direta a ser agregada e custos indiretos de fabricao. Os custos
eram contabilizados por fases separadamente, at que fossem transferidos ao exerc-
cio industrial.



1.2.3 Perodo Moderno

A Contabilidade tornou-se uma necessidade para se estabelecer o controle das inme-
ras riquezas que o Novo Mundo representava.


A introduo da tcnica contbil nos negcios privados foi uma contribuio de comer-
ciantes italianos do sc. XIII. Os emprstimos a empresas comerciais e os investimen-
tos em dinheiro determinaram o desenvolvimento de escritas especiais que refletissem
os interesses dos credores e investidores e, ao mesmo tempo, fossem teis aos co-
merciantes, em suas relaes com os consumidores e os empregados.


O aparecimento da obra de Frei Lucca Paccioli, contemporneo de Leonardo da Vinci,
que viveu na Toscana, no sculo XV, marca o incio da fase moderna da Contabilidade.
Escreveu Tratactus de Computis et Scripturis (Contabilidade por Partidas Dobradas),
publicado em 1494, enfatizando que a teoria contbil do dbito e do crdito correspon-
de a teoria dos nmeros positivos e negativos.


Paccioli foi matemtico, telogo, contabilista entre outras profisses. Deixou muitas
obras, destacando-se a Summa de Aritmtica, Geometria, Proportioni et Proporcionali-

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t, impressa em Veneza, na qual est inserido o seu tratado sobre Contabilidade e Es-
criturao.


Paccioli, apesar de ser considerado o Pai da Contabilidade, no foi o criador das Par-
tidas Dobradas. O mtodo j era utilizado na Itlia, principalmente na Toscana, desde o
Sculo XIV.


O tratado destacava, inicialmente, o necessrio ao bom comerciante. A seguir concei-
tuava inventrio e como faz-lo. Discorria sobre livros mercantis: memorial, dirio e ra-
zo, e sobre a autenticao deles; sobre registros de operaes: aquisies, permutas,
sociedades; sobre contas em geral: como abrir e como encerrar; contas de armazena-
mento; lucros e perdas; sobre correes de erros; sobre arquivamento de contas e do-
cumentos etc.


Sobre o Mtodo das Partidas Dobradas, Frei Lucca Paccioli exps a terminologia adap-
tada:


"Per", mediante o qual se reconhece o devedor;
"A", pelo qual se reconhece o credor.


Acrescentou que, primeiro deve vir o devedor, e depois o credor, prtica que se usa at
hoje.


A obra de Paccioli no s sistematizou a Contabilidade, como tambm abriu preceden-
te que para novas obras pudessem ser escritas sobre o assunto.  compreensvel que
a formalizao da Contabilidade tenha ocorrido na Itlia, afinal, neste perodo instau-
rou-se a mercantilizao, sendo as cidades italianas os principais interpostos do co-
mrcio mundial.


Foi a Itlia o primeiro pas a fazer restries  prtica da Contabilidade por um indiv-
duo qualquer. O governo passou a somente reconhecer como contadores, pessoas
devidamente qualificadas para o exerccio da profisso. A importncia da matria au-
mentou com a intensificao do comrcio internacional e com as guerras ocorridas nos



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sculos XVIII e XIX, que consagraram numerosas falncias e a conseqente necessi-
dade de se proceder  determinao das perdas e lucros entre credores e devedores.



1.2.4 Perodo Cientfico

O Perodo Cientfico apresenta, nos seus primrdios, dois grandes autores consagra-
dos: Francesco Villa, escritor milans, contabilista pblico, que, com sua obra "La Con-
tabilit Applicatta alle administrazioni Private e Plubbliche", inicia a nova fase; e Fbio
Bsta, escritor veneziano.


Embora o sculo XVII tivesse sido o bero da era cientfica e Pascal j tivesse inventa-
do a calculadora, a cincia da Contabilidade ainda se confundia com a cincia da Ad-
ministrao, e o patrimnio se definia como um direito, segundo postulados jurdicos.


Nessa poca, na Itlia, a Contabilidade j chegara  universidade. A Contabilidade co-
meou a ser lecionada com a aula de comrcio da corte, em 1809.


A obra de Francesco Villa foi escrita para participar de um concurso sobre Contabilida-
de, promovido pelo governo da ustria, que reconquistara a Lombarda, terra natal do
autor. Alm do prmio, Villa teve o cargo de Professor Universitrio.


Francisco Villa extrapolou os conceitos tradicionais de Contabilidade, segundo os quais
escriturao e guarda livros poderiam ser feitas por qualquer pessoa inteligente. Para
ele, a Contabilidade implicava conhecer a natureza, os detalhes, as normas, as leis e
as prticas que regem a matria administrada, ou seja, o patrimnio. Era o pensamento
patrimonialista. Foi o incio da fase cientfica da Contabilidade.


Fbio Bsta, seguidor de Francesco Villa, superou o mestre em seus ensinamentos.
Demonstrou o elemento fundamental da conta, o valor, e chegou muito perto de definir
patrimnio como objeto da Contabilidade.


Foi Vicenzo Mazi, seguidor de Fbio Bsta, quem pela primeira vez, em 1923, definiu
patrimnio como objeto da Contabilidade.


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Captulo 1  Evoluo Histrica da Contabilidade                              Prof. Moreira 

A partir de 1920, aproximadamente, inicia-se a fase de predominncia norte-americana
dentro da Contabilidade. Enquanto declinavam as escolas europias, floresciam as es-
colas norte-americanas com suas teorias e prticas contbeis, favorecidas no apenas
pelo apoio de uma ampla estrutura econmica e poltica, mas tambm pela pesquisa e
trabalho srio dos rgos associativos. O surgimento do American Institut of Certield
Public Accountants foi de extrema importncia no desenvolvimento da Contabilidade e
dos princpios contbeis; vrias associaes empreenderam muitos esforos e grandes
somas em pesquisas nos Estados Unidos. Havia uma total integrao entre acadmi-
cos e os j profissionais da Contabilidade, o que no ocorreu com as escolas europi-
as, onde as universidades foram decrescendo em nvel e importncia.


A criao de grandes empresas, como as multinacionais ou transnacionais, por exem-
plo, que requerem grandes capitais, de muitos acionistas, foi a causa primeira do esta-
belecimento das teorias e prticas contbeis, que permitissem correta interpretao
das informaes, por qualquer acionista ou outro interessado, em qualquer parte do
mundo.


No Brasil, a vinda da Famlia Real Portuguesa incrementou a atividade colonial, exigin-
do  devido ao aumento dos gastos pblicos e tambm da renda nos Estados  um
melhor aparato fiscal. Para tanto, constituiu-se o Errio Rgio ou o Tesouro Nacional e
Pblico, juntamente com o Banco do Brasil (1808). As Tesourarias de Fazenda nas
provncias eram compostas de um inspetor, um contador e um procurador fiscal, res-
ponsveis por toda a arrecadao, distribuio e administrao financeira e fiscal.


Hoje, as funes do contabilista no se restringem ao mbito meramente fiscal, tornan-
do-se, num mercado de economia complexa, vital para empresas, ao fornecer informa-
es mais precisas possveis para tomada de decises e para atrair investidores. O
profissional vem ganhando destaque no mercado em Auditoria, Controladoria e Atuari-
al.




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Captulo 2  Noes Preliminares                                              Prof. Moreira 




                                  CAPTULO 2
                              NOES PRELIMINARES



2.1 CAMPO DE APLICAO DA CONTABILIDADE

O campo de aplicao da Contabilidade se estende a todas as entidades que possuam
patrimnio, sejam pessoas fsicas ou jurdicas, de fins lucrativos ou no. Tais entidades
so unidades econmico-administrativas, cujos objetivos podem ser sociais e/ou eco-
nmicos.



2.1.1 Pessoa Fsica

Pessoa fsica  a pessoa natural, isto , todo indivduo (homem ou mulher) desde o
nascimento at a morte. A personalidade civil da pessoa comea do nascimento com
vida.



2.1.2 Pessoa Jurdica

Pessoa jurdica  o resultado da unio de duas ou mais pessoas fsicas e/ou jurdicas,
para o desenvolvimento de atividades de interesse comum. Podem ser de direito pbli-
co (Unio, Unidades Federativas, Autarquias etc.), ou de direito privado (sociedades
empresrias ou empresas, associaes etc.). Vale dizer ainda que as empresas indivi-
duais, para os efeitos do imposto de renda, so equiparadas s pessoas jurdicas.


As pessoas jurdicas so assim classificadas:




                                                                                            13
Captulo 2  Noes Preliminares                                            Prof. Moreira 




a) Quanto aos fins:


     Sociais: so as que tm por finalidade o bem-estar social da coletividade, como
        as associaes recreativas e esportivas, os hospitais beneficentes, os asilos
        etc.;
     Econmicas: so as entidades que possuem finalidade econmica, isto , vi-
        sam o lucro, como por exemplo, as empresas industriais, comerciais, prestado-
        ras de servios etc.;
     Scio-econmicas: so aquelas cuja administrao possui interesse no aspec-
        to econmico da entidade, mas este se reverte em benefcios da coletividade a
        que pertencem, como por exemplo: previdncia privada, cooperativas etc.


b) Quanto ao capital:


     Pblicas: constitudas com capital do Governo, como por exemplo, a ECT 
        Empresa Brasileira de Correios e Telgrafos e a Caixa Econmica Federal;
     Privadas: constitudas com capital de particulares, tais como: Natura, Banco Ita-
        , Casas Bahia etc.;
     Economia Mista: constitudas com capital do Governo e de particulares ao
        mesmo tempo, como por exemplo: SANASA, EMDEC, Banco do Brasil, Petro-
        brs etc.




2.1.3 Sociedades Empresrias

A Sociedade Limitada (Ltda.) e a Sociedade Annima (S/A) constituem as duas formas
jurdicas de sociedades empresrias mais comuns.

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2.1.3.1 Sociedades Limitadas

Grande parte das empresas no Pas  constituda sob a forma de Sociedades Limita-
das.  formada por dois ou mais scios, cujas responsabilidades pelo pagamento das
obrigaes da empresa  limitada  importncia total do capital social.


O Capital Social das limitadas  representado por quotas (parcelas do capital), sendo o
ato de formao realizado em dois momentos distintos:


          Subscrio: promessa do scio de conferir determinado montante de fundos
           para a formao do capital social, em dinheiro ou bens;
          Integralizao:  o cumprimento, pelo scio, da promessa de entrega do mon-
           tante com o qual se comprometeu para a formao do capital social.


Normalmente a subscrio e integralizao ocorrem simultaneamente. No entanto,
quando um ou mais scios no o fazem no momento da constituio,  ajustado um
prazo para a integralizao, estipulado no Contrato Social1 que, comprova a dvida do
scio para com a sociedade. Todavia, prevalece o acordo entre os scios, devidamente
informado no contrato social.


Nenhuma sociedade poder ser constituda com capital social totalmente a integralizar,
simplesmente porque no seria possvel implant-la, em funo dos custos que inci-
dem j na sua constituio.


Na sociedade limitada, cada scio fica responsvel diretamente pela integralizao da
cota que subscreveu, e indiretamente pela integralizao das cotas subscritas por to-
dos os outros scios. Exemplo:


                                                                    Scio A        Scio B
                         Valor Subscrito (em R$)                       100            100
                         Valor Integralizado (em R$)                   100             50
                         Valor a Integralizar (em R$)                   0              50



1
    Contrato Social  o documento jurdico que formaliza a constituio de uma sociedade limitada.
                                                                                                                  15
Captulo 2  Noes Preliminares                                              Prof. Moreira 

No caso anterior, o scio B responde por R$ 50 mil, vez que no os integralizou. Mas,
se ele no os tiver, A ter que cobrir o dbito, como fiador. No caso a seguir, nenhum
dos dois scios responde pelas dvidas da sociedade, pois ambos integralizaram suas
cotas.


                                                      Scio A    Scio B
                       Valor Subscrito (em R$)          100        100
                       Valor Integralizado (em R$)      100        100
                       Valor a Integralizar (em R$)      0          0



A administrao da sociedade  realizada pelos scios-gerentes. Se o contrato no
contiver clusula especfica sobre o assunto, todos os scios podero exerc-la. Caso
o contrato designar quais scios sero os gerentes, apenas a estes caber o exerccio
da administrao. O contrato social tambm pode autorizar que o scio-gerente dele-
gue seus poderes a terceiros (no-scios), mediante um instrumento de procurao.


O nome empresarial poder ser:


        Firma ou Razo Social: Moreira, Franco & Peixoto Ltda., Antonio Moreira &
         Cia. Ltda., Moreira, Franco & Cia. Ltda., A. Moreira & Cia. Ltda.;
        Denominao Social (nome fantasia): Padaria Po Quentinho Ltda., Papelaria
         dos Contabilistas Ltda. etc.


Em ambos os casos, o nome dever ser seguido da expresso "Limitada", por extenso
ou abreviada "Ltda.", sendo este ltimo mais usual.


No caso de sociedade civil limitada (exclusivamente de explorao de servios), inclui-
se a expresso "sociedade civil" ou "S/C".


O Contrato Social da Sociedade Limitada deve ser arquivado:


        Na Junta Comercial: tratando-se de sociedade comercial (ou que tenha ativida-
         des tanto comerciais quanto de prestao de servios);

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Captulo 2  Noes Preliminares                                            Prof. Moreira 




       No Registro Civil de Pessoas Jurdicas (Cartrio de Ttulos e Documentos):
        no caso de sociedade civil (ou seja, sociedade constituda exclusivamente para
        a explorao de atividades de prestao de servios).


2.1.3.1 Sociedades Annimas

As Sociedades Annimas (ou Companhias), regidas pela Lei n. 6.404/76 ("Lei das
S/A"), possuem o capital social dividido em aes e so constitudas de duas espcies:
companhia aberta ou companhia fechada.


A sociedade annima de capital fechado (companhia fechada) no tem suas aes ne-
gociadas em Bolsas de Valores, ou seja,  a companhia que obtm recursos entre os
prprios acionistas ou terceiros subscritores.


A sociedade annima de capital aberto (companhia aberta) tem suas aes negociadas
em Bolsas de Valores, ou seja, a companhia procura captar recursos junto ao pblico
atravs da emisso de aes.


As principais caractersticas das Sociedades Annimas so as seguintes:


     Grandes empreendimentos: as sociedades annimas destinam-se a grandes
        empreendimentos;
     Nmero de acionistas: a sociedade annima pode ser constituda por um n-
        mero mnimo de duas pessoas;
     Impessoalidade: visa-se apenas o capital, no se preocupando com qualidades
        ou aptides pessoais de seus scios;
     Estatuto social: documento pelo qual se constitui a sociedade annima;
     Diviso do capital em aes: o capital social  dividido ou fracionado em pe-
        quenas partes rigorosamente iguais;
      sempre comercial: a sociedade annima  considerada mercantil qualquer
        que seja seu objeto social (comrcio ou prestao de servios);
     Legalizao cadastral: os atos constitutivos da sociedade annima devem ser
        publicados e arquivados na Junta Comercial;
                                                                                         17
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     Nome: uma sociedade annima  designada por uma denominao social, jun-
        tando-se antes ou depois do nome escolhido a expresso "Sociedade Annima",
        por extenso ou abreviadamente (S/A), ou ainda, antepondo-se a palavra "Com-
        panhia", ou "Cia.". Exemplo:


        Sociedade Annima Tecelagem Campinas
        S/A Tecelagem Campinas
        Tecelagem Campinas Sociedade Annima
        Tecelagem Campinas S/A
        Companhia Tecelagem Campinas
        Cia. Tecelagem Campinas


        A denominao pode indicar os fins sociais, ou o ramo explorado, mas tal indi-
        cao no  obrigatria;


     Responsabilidade dos acionistas: a responsabilidade do acionista  absolu-
        tamente limitada, restringindo-se  integralizao das aes por ele subscritas.



2.2 CONCEITO DE CONTABILIDADE

A Contabilidade  uma cincia social que estuda e pratica as funes de controle per-
manente e eficiente da gesto do Patrimnio de uma entidade.


A aplicao da Contabilidade na empresa tem por finalidade fornecer aos usurios in-
ternos e externos, o mximo de informaes teis sobre aspectos de natureza econ-
mica, financeira e fsica do Patrimnio e suas mutaes. Isso compreende registros,
demonstraes, anlises, diagnsticos e prognsticos expressos sob a forma de rela-
tos, pareceres, tabelas, planilhas e outros meios que possam auxiliar a tomada de de-
cises.


O conceito de Contabilidade  aplicvel a pessoas fsicas ou jurdicas, independente da
finalidade ou atividade destas. No entanto, na prtica, ela  voltada mais para empre-
sas, principalmente pelas exigncias da legislao comercial e fiscal.

                                                                                            18
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2.3 USURIOS DA CONTABILIDADE
De forma geral, o objetivo da Contabilidade  a gerao de informaes que sero utili-
zadas por determinados usurios que buscam a realizao de interesses e objetivos
prprios. Os usurios podem ser tanto internos (pessoas que fazem parte da empresa)
como externos. Como usurios internos das informaes produzidas pela Contabilida-
de, podemos ter:

        O titular da firma individual, os scios ou acionistas da sociedade;
        Os diretores, gerentes e administradores dos diversos nveis;
        Empregados.

Como usurios externos podemos ter:

        Bancos;
        Fornecedores;
        Clientes (no caso de Licitao);
        Governo (fiscalizao);
        Auditores externos;
        Investidores do mercado de capital;
        Candidatos a emprego.




                                                                                             19
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2.4 RAMOS DA CONTABILIDADE
Para efeitos didticos, a Contabilidade normalmente  dividida em reas ou ramos. Es-
ta diviso tem por objetivos o aprimoramento das tcnicas aplicadas a determinadas
atividades e o estudo de aspectos especficos da Contabilidade. As reas da Contabili-
dade podem ser estudadas de forma autnoma. No entanto, elas no so matrias in-
dependentes, pois tratam do mesmo assunto: o patrimnio. Assim, a Contabilidade po-
de ser dividida em:


     Contabilidade Geral (Financeira);
     Contabilidade de Custos;
     Contabilidade das Instituies Financeiras;
     Contabilidade Pblica;
     Contabilidade Agropecuria;
     Contabilidade de Seguros;
     Contabilidade Tributria;
     Contabilidade Internacional;
     Contabilidade Gerencial, etc.



2.5 A CONTABILIDADE COMO PROFISSO

A contabilidade  uma das profisses que mais proporcionam oportunidades para o
profissional. O estudante que optou pelo curso de Cincias Contbeis ter inmeras
alternativas, conforme demonstrado a seguir:




                                                                                         20
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2.6 RESPONSABILIDADE DO PROFISSIONAL

A escriturao contbil da empresa  de responsabilidade exclusiva do profissional
qualificado (Tcnico de Contabilidade ou Contador) devidamente registrado CRC (Con-
selho Regional de Contabilidade).


Todos os demonstrativos contbeis, tais como: Balano Patrimonial, Demonstraes de
Resultado e quaisquer documentos contbeis devem ser assinados por Tcnico de
Contabilidade ou Contador, com indicao do nmero do registro no CRC. Esses pro-
fissionais, dentro do mbito de sua atuao e no que se referir  parte tcnica, sero
responsabilizados, por qualquer falsidade dos documentos que assinarem e pelas irre-
gularidades de escriturao praticadas para fraudar impostos.




                                                                                         21
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                               MODELO BSICO DE CONTRATO SOCIAL
                                                        SOCIEDADE LIMITADA

                              CONTRATO DE CONSTITUIO DE _____________________

1. Fulano de Tal, (nome completo), nacionalidade, naturalidade, estado civil, regime de bens (se casa-
do), data de nascimento (se solteiro), profisso, n do CPF, documento de identidade, seu nmero, rgo
expedidor e UF onde foi emitida (documentos vlidos como identidade: carteira de identidade, certificado
de reservista, carteira de identidade profissional, Carteira de Trabalho e Previdncia Social, Carteira
Nacional de Habilitao  modelo com base na Lei n 9.503, de 23.9.97), domiclio e residncia (tipo e
nome do logradouro, nmero, bairro/distrito, municpio, Unidade Federativa e CEP) e

2. Beltrano de Tal .................................................. (art. 997, l, CC/2002) constituem uma sociedade
limitada, mediante as seguintes clusulas:

1. A sociedade girar sob o nome empresarial ............................. e ter sede e domicilio na (endereo
completo: tipo, e nome do logradouro, nmero, complemento, bairro/distrito, municpio, Unidade Federa-
tiva e CEP). (art. 997, II, CC/2002)

2. O capital social ser R$ .................................. (............................... reais) dividido em .............. quotas
de valor nominal R$ .............. (................ reais), integralizadas, neste ato em moeda corrente do Pas,
pelos scios:

Fulano de Tal .................n de quotas............. R$....................
Beltrano de Tal............... n de quotas............. R$....................
(art. 997, III, CC/2002) (art. 1.055, CC/2002)

3. O objeto ser ............................................................................................................................................

4. A sociedade iniciar suas atividades em ...................... e seu prazo de durao  indeterminado. (art.
997, II, CC/2002)

5. As quotas so indivisveis e no podero ser cedidas ou transferidas a terceiros sem o consentimento
do outro scio, a quem fica assegurado, em igualdade de condies e preo direito de preferncia para a
sua aquisio se postas  venda, formalizando, se realizada a cesso delas, a alterao contratual perti-
nente. (art. 1.056, art. 1.057, CC/2002)

6. A responsabilidade de cada scio  restrita ao valor de suas quotas, mas todos respondem solidari-
amente pela integralizao do capital social. (art. 1.052, CC/2002)

7. A administrao da sociedade caber ................................................. com os poderes e atribuies
de........................................... autorizado o uso do nome empresarial, vedado, no entanto, em ativida-
des estranhas ao interesse social ou assumir obrigaes seja em favor de qualquer dos quotistas ou de
terceiros, bem como onerar ou alienar bens imveis da sociedade, sem autorizao do outro scio. (arti-
gos 997, Vl; 1.013. 1.015, 1064, CC/2002)

8. Ao trmino da cada exerccio social, em 31 de dezembro, o administrador prestar contas justificadas
de sua administrao, procedendo  elaborao do inventrio, do balano patrimonial e do balano de
resultado econmico, cabendo aos scios, na proporo de suas quotas, os lucros ou perdas apurados.
(art. 1.065, CC/2002)

9. Nos quatro meses seguintes ao trmino do exerccio social, os scios deliberaro sobre as contas e
designaro administrador(es) quando for o caso. (arts. 1.071 e 1.072,  2o e art. 1.078, CC/2002)

10. A sociedade poder a qualquer tempo, abrir ou fechar filial ou outra dependncia, mediante altera-
o contratual assinada por todos os scios.

                                                                                                                                                                 
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11. Os scios podero, de comum acordo, fixar uma retirada mensal, a ttulo de "pro labore", observa-
das as disposies regulamentares pertinentes.

12. Falecendo ou interditado qualquer scio, a sociedade continuar suas atividades com os herdeiros,
sucessores e o incapaz. No sendo possvel ou inexistindo interesse destes ou do(s) scio(s) remanes-
cente(s), o valor de seus haveres ser apurado e liquidado com base na situao patrimonial da socie-
dade,  data da resoluo, verificada em balano especialmente levantado.

Pargrafo nico - O mesmo procedimento ser adotado em outros casos em que a sociedade se resolva
em relao a seu scio. (art. 1.028 e art. 1.031, CC/2002)

13. O(s) Administrador(es) declara(m), sob as penas da lei, de que no est(o) impedidos de exercer a
administrao da sociedade, por lei especial, ou em virtude de condenao criminal, ou por se encon-
trar(em) sob os efeitos dela, a pena que vede, ainda que temporariamente, o acesso a cargos pblicos;
ou por crime falimentar, de prevaricao, peita ou suborno, concusso, peculato, ou contra a economia
popular, contra o sistema financeiro nacional, contra normas de defesa da concorrncia, contra as rela-
es de consumo, f pblica,ou a propriedade. (art. 1.011,  1, CC/2002)

Inserir clusulas facultativas desejadas.

14. Fica eleito o foro de ............ para o exerccio e o cumprimento dos direitos e obrigaes resultan-
tes deste contrato.

E por estarem assim justos e contratados assinam o presente instrumento em _______ vias.


___________________, ___ de ___________de 20__


_____________________
Fulano de Tal

_____________________
Beltrano de Tal




Visto: ____________________ (OAB/MG 0987)
              Nome




                                                                                                               23
Captulo 3  O Patrimnio                                                    Prof. Moreira




                                  CAPTULO 3
                                 O PATRIMNIO

3.1 CONCEITO

O Patrimnio  o campo de atuao da Contabilidade, e representa o conjunto de
Bens, Direitos (valores a receber) e Obrigaes (valores a pagar) de propriedade de
uma pessoa fsica ou jurdica.




3.2 BENS

Bens, no sentido geral, so todas as coisas teis, capazes de satisfazer as necessida-
des das pessoas ou empresas. Podem ser classificados em:


    a) Bens Tangveis: tm existncia fsica, so palpveis, e classificam-se em:


            Bens Numerrios: dinheiro;
            Bens de Venda: estoque de mercadorias, estoque de matrias-primas, esto-
             que de produtos em fabricao, estoque de produtos acabados;
            Bens de Uso: imveis, terrenos, mveis e utenslios, veculos, mquinas e
             equipamentos, computadores, instalaes;
            Bens de Renda: imveis para aluguel.
                                                                                             24
Captulo 3  O Patrimnio                                                      Prof. Moreira

    b) Bens Intangveis: no so palpveis, no possuem existncia fsica, como por
        exemplo: capital intelectual, marcas, direitos autorais, patentes de inveno (do-
        cumento pelo qual o Estado garante a pessoa ou empresa o direito exclusivo de
        explorar uma inveno), franquias, copyrights e softwares.



3.3 DIREITOS

Em Contabilidade, entende-se por Direito ou Direito a receber, o poder de exigir algu-
ma coisa, ou ainda, valores de propriedade da empresa em posse de terceiros. So
exemplos de direitos: valores a receber, ttulos a receber, contas a receber, aluguis a
receber, promissrias a receber, duplicatas a receber (ou clientes), aplicaes financei-
ras, adiantamentos a empregados, adiantamentos a fornecedores, aes, etc.


Aps um ms de trabalho, desde que o colaborador ou empregado seja mensalista, o
mesmo tem o direito de receber seu salrio ou ordenado. Dessa forma, salrios a rece-
ber  um direito. Se uma empresa deposita uma determinada quantia numa conta cor-
rente, ela possui o direito de sacar essa importncia a qualquer tempo. Assim, dinheiro
depositado em bancos  um direito a receber.


Numa empresa, o direito a receber mais comum  o proveniente das vendas a prazo,
quando o pagamento pelo cliente no  efetuado no ato, mas no futuro. A empresa
vendedora emite um ttulo de crdito denominado Duplicata como um documento com-
probatrio. Esse direito  classificado como Duplicatas a Receber ou Clientes.



3.4 OBRIGAES
Obrigaes so dvidas com terceiros (fornecedores, empregados, Governo, bancos
etc.). Em Contabilidade, so denominadas Obrigaes a pagar ou exigveis, isto ,
compromissos que sero reclamados, exigidos na data do vencimento. No caso dum
emprstimo bancrio, a empresa fica devendo ao banco (emprstimo a pagar). Se a
obrigao no for quitada na data de vencimento, o banco exigir o pagamento.


Uma Obrigao a pagar muito comum nas empresas  decorrente da compra de mer-
cadorias a prazo (o contrrio de duplicatas a receber). Ao comprar a prazo, a empresa

                                                                                               25
Captulo 3  O Patrimnio                                                      Prof. Moreira

fica devendo ao fornecedor da mercadoria, sendo que essa dvida  conhecida como
Fornecedores ou Duplicatas a Pagar.


Outras obrigaes exigveis so: salrios a pagar, impostos a recolher, financiamentos,
promissrias a pagar, encargos sociais a pagar, aluguis a pagar, contas de luz, gua,
gs, adiantamentos de clientes, etc.



3.5 REPRESENTAO GRFICA DO PATRIMNIO
O Patrimnio da Cia. Moreira pode ser representado graficamente da seguinte forma:


                              Patrimnio da Cia. Moreira
                                     (em R$ mil)

                 BENS + DIREITOS                       OBRIGAES
     BENS                                      OBRIGAES
       Dinheiro                        1.000    Emprstimos a Pagar             5.000
       Veculos                        7.000    Fornecedores (Dupl. a Pagar)   10.000
       Imveis                     15.000       Salrios a Pagar                6.000
       Mquinas                        5.000    Encargos Sociais a Pagar        5.500
       Ferramentas                     3.000    Financiamentos                  5.000
       Mveis e Utenslios             2.500    Impostos a Pagar                6.000
       Marcas e Patentes               8.000    Aluguis a Pagar                1.000
                                   41.500       Ttulos a Pagar                   500
     DIREITOS                                   Promissrias a Pagar              800
       Depsitos em Bancos             5.000    Contas a Pagar                    500
       Duplicatas a Receber        30.000                                      40.300
       Ttulos a Receber           15.000
       Aluguis a Receber              1.000
       Aes                       10.000
                                   61.000



Na representao grfica do patrimnio coloca-se os Bens e Direitos no lado esquerdo
e as Obrigaes no lado direito, por mera conveno.




                                                                                               26
Captulo 3  O Patrimnio                                                      Prof. Moreira



3.6 ELEMENTOS PATRIMONIAIS

No sistema patrimonial da pessoa jurdica, os elementos patrimoniais Bens e Direitos
so registrados com a nomenclatura de ATIVO (lado positivo), refletindo as aplica-
es de recursos que os administradores fizeram dos recursos recebidos. Os elemen-
tos patrimoniais classificados como Obrigaes so registrados com a nomenclatura de
PASSIVO (lado negativo), refletindo a origem dos recursos. O Patrimnio da Cia. Mo-
reira pode ser representado agora, da seguinte forma:


                                 Patrimnio da Cia. Moreira
                                        (em R$ mil)


                         ATIVO                           PASSIVO
     BENS                                      OBRIGAES
       Dinheiro                        1.000    Emprstimos a Pagar             5.000
       Veculos                        7.000    Fornecedores (Dupl. a Pagar)   10.000
       Imveis                        15.000    Salrios a Pagar                6.000
       Mquinas                        5.000    Encargos Sociais a Pagar        5.500
       Ferramentas                     3.000    Financiamentos                  5.000
       Mveis e Utenslios             2.500    Impostos a Pagar                6.000
       Marcas e Patentes               8.000    Aluguis a Pagar                1.000
                                      41.500    Ttulos a Pagar                   500
     DIREITOS                                   Promissrias a Pagar              800
       Depsitos em Bancos             5.000    Contas a Pagar                    500
       Duplicatas a Receber           30.000                                   40.300
       Ttulos a Receber              15.000
       Aluguis a Receber              1.000
       Aes                          10.000
                                      61.000




3.7 PATRIMNIO LQUIDO

Ao passar por uma rodovia e avistar uma fbrica, com letreiros luminosos, jardins ao
redor, uma pessoa pode imaginar: "Como  grande o patrimnio desta empresa!" H
possibilidade, no entanto, de essa pessoa estar enganada, pois patrimnio envolve



                                                                                               27
Captulo 3  O Patrimnio                                                    Prof. Moreira

tambm obrigaes. A empresa poder estar a um passo da falncia ou completamen-
te endividada.


Assim tambm, se um amigo seu tem uma bela casa, um carro zero e outros bens, es-
se patrimnio elevado no significa necessariamente grandes vantagens: pode ser que
ele deva muitas prestaes ao banco financiador, que seu carro e outros bens tenham
sido financiados, que sua dvida seja consideravelmente grande. Riqueza, portanto,
no se mede somente pelos bens.


 necessrio conhecermos a riqueza lquida da pessoa ou empresa: somam-se os
bens e os direitos e, desse total, subtraem-se as obrigaes; o resultado  a riqueza
lquida, ou seja, a parte que sobra do patrimnio para a pessoa ou empresa, denomi-
nada patrimnio lquido ou situao lquida.


               Patrimnio Lquido = Bens + Direitos  Obrigaes


O Patrimnio da Cia. Moreira pode ser representado resumidamente da seguinte for-
ma:


                                        Cia. Moreira
                               Balano Patrimonial em 31-12-X1
                                         (em R$ mil)

                             ATIVO                      PASSIVO
              Bens                     41.500 Obrigaes            40.300

              Direitos                 61.000 Patrimnio Lquido    62.200
              Total do Ativo          102.500 Total do Passivo     102.500



Observe que o grfico patrimonial aparece agora com o ttulo Balano Patrimonial. A
palavra balano decorre do equilbrio: Ativo = Passivo, ou da igualdade: Aplicaes =
Origens. Parte-se da idia de uma balana de dois pratos, onde sempre encontrarmos
a igualdade. Mas em vez de se denominar balana denomina-se balano. O termo pa-
trimonial tem origem no patrimnio da empresa, ou seja, conjunto de bens, direitos e



                                                                                             28
Captulo 3  O Patrimnio                                                      Prof. Moreira

obrigaes. Da o chamar-se patrimonial. Em sentido amplo, o balano evidencia a si-
tuao patrimonial da empresa em determinada data.


Note que agora temos dois tipos de obrigaes registradas sob a nomenclatura Passi-
vo. A primeira (Obrigaes) representa os compromissos ou obrigaes que a empresa
contraiu com terceiros, e que tem um tempo determinado para promover a liquidao,
tambm chamadas de Passivo exigvel ou Capital de Terceiros. A segunda repre-
senta as obrigaes da empresa com os seus proprietrios, que, assumindo o risco das
atividades empresariais, mantm os seus capitais a servio da sociedade por tempo
indeterminado, chamados assim de Passivo no exigvel ou Capital Prprio.


Devemos ter em mente que, a equao do Patrimnio somente deve ser usada quando
 necessrio conhecer a Situao Patrimonial Lquida de uma empresa que no man-
tm escrita fiscal regular, seja por ser informal, ou estar dispensada pela legislao
brasileira fiscal. Caso a empresa mantenha escrita contbil regular, a Situao Lquida
j estar registrada contabilmente, mediante os elementos que compem o grupo do
Patrimnio Lquido.



3.7.1 Situaes ou Estados Patrimoniais

Podemos ter trs situaes lquidas patrimoniais possveis:


            Situao Patrimonial Lquida Positiva: quando os bens e direitos excedem
             o valor das obrigaes exigveis. Exemplo:


                             ATIVO                        PASSIVO
              Bens                    10.000 Obrigaes                7.000

              Direitos                 5.000 Patrimnio Lquido        8.000
              Total do Ativo          15.000 Total do Passivo         15.000



            Situao Patrimonial Lquida Negativa (Passivo a Descoberto): quando a
             os bens e direitos forem menores que as obrigaes exigveis. Exemplo:

                                                                                               29
Captulo 3  O Patrimnio                                                        Prof. Moreira




                              ATIVO                       PASSIVO
              Bens                      10.000 Obrigaes              18.000

              Direitos                   5.000 Patrimnio Lquido      (3.000)
              Total do Ativo            15.000 Total do Passivo        15.000


            Situao Patrimonial Lquida Nula: quando os bens e direitos forem iguais
             s obrigaes exigveis. Exemplo:


                              ATIVO                       PASSIVO
              Bens                      10.000 Obrigaes              15.000

              Direitos                   5.000 Patrimnio Lquido            -
              Total do Ativo            15.000 Total do Passivo        15.000



Veja a seguir um quadro resumo:


                             Situao                Frmula
                             Positiva      (Bens + Direitos) > Obrigaes

                             Negativa      (Bens + Direitos) < Obrigaes

                               Nula        (Bens + Direitos) = Obrigaes




                                                                                                 30
Captulo 4  Contabilidade por Balanos Sucessivos I                                                 Prof. Moreira 




                    CAPTULO 4
      CONTABILIDADE POR BALANOS SUCESSIVOS I



4.1 BALANOS SUCESSIVOS
A Contabilidade por balanos sucessivos  bastante simples: a cada operao realiza-
da pela empresa faz-se a alterao em um novo balano.


Para averiguar se as modificaes efetuadas esto corretas, basta observar se o total
do Ativo  igual ao total do Passivo, pois o equilbrio do Balano Patrimonial jamais po-
de ser afetado com o registro de uma transao. No caso de diferena, deve-se revisar
todo o trabalho realizado, pois certamente houve um erro de lanamento2.



4.2 OPERAES

A Contabilidade utiliza-se de uma das maiores convenes da humanidade: o mtodo
das partidas dobradas3, no qual, para cada operao ou fato administrativo4, o Conta-
dor identifica e registra a origem (de onde veio o recurso) e a aplicao (onde foi apli-
cado o recurso). Veja a seguir, o impacto de cada transao no Balano Patrimonial:


Fato 1  Constituio de uma Empresa: Moreira e Franco, pessoas fsicas, resolve-
ram constituir uma sociedade (pessoa jurdica) que ter a seguinte razo social: Morei-
ra & Franco Comrcio Ltda. Para tanto assinaram um Contrato Social, datado de
02/01/X1, e disponibilizaram  sociedade, a importncia de R$ 100.000,00 (em dinhei-
ro) cada um, que passa a constituir o Capital Social da nova entidade:



2
  Lanamento contbil  a forma como a Contabilidade registra os fatos que afetam (ou que possam vir a afetar) o
patrimnio da empresa.
3
  Ver tpico 1.3 - Perodo Moderno.
4
  Acontecimentos que provocam variaes nos elementos do patrimnio.
                                                                                                                   31
Captulo 4  Contabilidade por Balanos Sucessivos I                                                Prof. Moreira 

                      Aplicao (onde foi aplicado o recurso): Caixa (dinheiro)
                            Origem (de onde veio o recurso): Capital Social


                            ATIVO                                          PASSIVO
         BENS                                             PATRIMNIO LQUIDO
            Caixa (Dinheiro)                  200.000       Capital Social                      200.000
         Total do Ativo                      200.000 Total do Passivo                          200.000



Fato 2  Depsito em Banco: em 03/01/X1 foi aberta uma conta bancria no Banco
"X" com depsito inicial de R$ 190.000,00:


                                               Aplicao: Banco
                                                Origem: Caixa


                            ATIVO                                          PASSIVO
         BENS                                             PATRIMNIO LQUIDO
            Caixa                              10.000       Capital Social                      200.000
         DIREITOS
            Banco                             190.000
         Total do Ativo                      200.000 Total do Passivo                          200.000



Fato 3  Emprstimo Bancrio5: em 10/01/X1 foi realizado um emprstimo bancrio,
no valor de R$ 50.000,00, sendo o valor creditado na conta bancria da empresa:

                                               Aplicao: Banco
                                            Origem: Emprstimos

                            ATIVO                                          PASSIVO
         BENS                                             OBRIGAES
            Caixa (Dinheiro)                   10.000       Emprstimos a Pagar                   50.000


         DIREITOS                                         PATRIMNIO LQUIDO
            Banco                             240.000       Capital Social                      200.000
         Total do Ativo                      250.000 Total do Passivo                          250.000

5
    Para fins didticos, no esto sendo considerados os encargos decorrentes de emprstimos, neste momento.
                                                                                                                 32
Captulo 4  Contabilidade por Balanos Sucessivos I                               Prof. Moreira 

Fato 4  Compra de Mveis e Utenslios  Vista: em 15/01/X1, a empresa efetuou a
compra de mveis e utenslios para uso no escritrio da empresa, no valor de R$
5.000,00, sendo o pagamento realizado com cheque da empresa:


                                     Aplicao: Mveis e Utenslios
                                                Origem: Banco


                           ATIVO                                      PASSIVO
       BENS                                             OBRIGAES
         Caixa (Dinheiro)                      10.000    Emprstimos a Pagar     50.000
         Mveis e Utenslios                    5.000


       DIREITOS                                         PATRIMNIO LQUIDO
         Banco                               235.000     Capital Social         200.000
       Total do Ativo                       250.000 Total do Passivo            250.000



Fato 5  Compra de Veculo  Vista: em 19/01/X1, a empresa adquiriu um veculo, 
vista, no valor de R$ 60.000,00, sendo o pagamento efetuado em cheque:


                                             Aplicao: Veculo
                                                Origem: Banco


                           ATIVO                                      PASSIVO
       BENS                                             OBRIGAES
         Caixa (Dinheiro)                      10.000    Emprstimos a Pagar     50.000
         Mveis e Utenslios                    5.000
         Veculo                               60.000


       DIREITOS                                         PATRIMNIO LQUIDO
         Banco                               175.000     Capital Social         200.000
       Total do Ativo                       250.000 Total do Passivo            250.000



Fato 6  Compra de Mercadorias para Revenda a Prazo com Entrada: em
20/01/X1, a empresa realizou uma compra de mercadorias para revenda, no valor de


                                                                                                33
Captulo 4  Contabilidade por Balanos Sucessivos I                               Prof. Moreira 

R$ 150.000,00, sendo R$ 100.000,00 pagos atravs de cheque da empresa, e o res-
tante a prazo:

                                  Aplicao: Estoque de Mercadorias
                                     Origem: Banco / Fornecedores


                           ATIVO                                      PASSIVO
       BENS                                             OBRIGAES
         Caixa (Dinheiro)                      10.000    Emprstimos a Pagar     50.000
         Mveis e Utenslios                    5.000    Fornecedores            50.000
         Veculo                               60.000
         Estoque de Mercadorias              150.000


       DIREITOS                                         PATRIMNIO LQUIDO
         Banco                                 75.000    Capital Social         200.000
       Total do Ativo                       300.000 Total do Passivo            300.000



Fato 7  Pagamento a Fornecedor: em 05/02/X1, o tesoureiro efetuou o pagamento
ao fornecedor de mercadorias, no valor de R$ 50.000,00, atravs de cheque:


                                  Aplicao: Fornecedor (pagamento)
                                                Origem: Banco


                           ATIVO                                      PASSIVO
       BENS                                             OBRIGAES
         Caixa (Dinheiro)                      10.000    Emprstimos a Pagar     50.000
         Mveis e Utenslios                    5.000    Fornecedores                  -
         Veculo                               60.000
         Estoque de Mercadorias              150.000


       DIREITOS                                         PATRIMNIO LQUIDO
         Banco                                 25.000    Capital Social         200.000
       Total do Ativo                       250.000 Total do Passivo            250.000


Fato 8  Saque de Dinheiro: em 06/02/X1, foi efetuado um saque da conta bancria
no valor de R$ 2.000,00, para aumento da reserva de caixa:

                                                                                                34
Captulo 4  Contabilidade por Balanos Sucessivos I                                                   Prof. Moreira 

                                               Aplicao: Caixa
                                                Origem: Banco


                           ATIVO                                               PASSIVO
        BENS                                               OBRIGAES
          Caixa (Dinheiro)                     12.000         Emprstimos a Pagar                   50.000
          Mveis e Utenslios                   5.000         Fornecedores                                  -
          Veculo                              60.000
          Estoque de Mercadorias             150.000


        DIREITOS                                           PATRIMNIO LQUIDO
          Banco                                23.000         Capital Social                       200.000
        Total do Ativo                       250.000 Total do Passivo                             250.000


A planilha a seguir dispensa o trabalho de se fazer balanos sucessivos. Cada linha
representa uma transao ou fato administrativo, sendo necessrio apenas identificar
onde o recurso foi aplicado e de onde ele veio. A ltima linha (saldo das contas) repre-
senta o saldo das contas do balano aps o registro da ltima transao contbil:


                                              ATIVO                                            PASSIVO
     FATOS
                       Caixa      Mveis     Veculo       Estoque       Banco       Empr.     Fornec.     Capital
 1) Constituio da
                       200.000                                                                              200.000
 Empresa
 2) Depsito em
                      (190.000)                                           190.000
 Banco
 3) Emprstimo
                                                                           50.000     50.000
 Bancrio
 4) Compra de
                                     5.000                                 (5.000)
 Mveis a Vista
 5) Compra de
                                                60.000                    (60.000)
 Veculo a Vista
 6) Compra de
                                                              150.000    (100.000)               50.000
 Mercad. Prazo
 7) Pagamento a
                                                                          (50.000)              (50.000)
 Fornecedor
 8) Saque de Di-
                         2.000                                             (2.000)
 nheiro
 Saldo das Contas       12.000       5.000      60.000        150.000      23.000     50.000           -    200.000
                                                        Total do Ativo    250.000       Total do Passivo    250.000




                                                                                                                      35
Captulo 5  Contas de Resultado                                             Prof. Moreira 




                                   CAPTULO 5
                               CONTAS DE RESULTADO


5.1 RECEITAS

As Receitas correspondem s vendas de produtos, mercadorias ou prestao de ser-
vios. No Balano Patrimonial, as receitas so refletidas atravs da entrada de dinheiro
no Caixa (Vendas a Vista) ou atravs de direitos a receber (Vendas a Prazo).  impor-
tante notar que, a Receita sempre aumenta o Ativo, embora nem todo aumento de Ati-
vo representa uma Receita, como  o caso dos Emprstimos e Financiamentos banc-
rios. So exemplos de Receitas: Receitas de Vendas de Mercadorias; Receitas de
Vendas de Produtos; Receitas de Prestao de Servios; Descontos Obtidos; Aluguis
Ativos; Juros Ativos.



5.2 DESPESAS

As Despesas representam o sacrifcio ou esforo da empresa para se obter Receita.
Todo consumo de bens ou servios com o objetivo de gerar Receita  considerado
Despesa. O consumo de materiais, por exemplo,  considerado uma Despesa. Neste
caso, no ato em que o material d entrada no Almoxarifado, o valor  contabilizado co-
mo bem no Ativo Circulante, e quando o mesmo  requisitado por alguma rea para ser
consumido, o valor do bem  transferido para Despesa.


A Despesa  refletida no Balano Patrimonial, pela reduo do Caixa (quando  paga a
vista), ou mediante aumento de uma dvida - Passivo (quando a despesa  contrada
no presente para ser paga no futuro - a prazo). A despesa pode ainda originar-se de
outras redues de Ativo (alm do Caixa), como  o caso do desgaste dos bens do I-
mobilizado (depreciao) etc. Todo dinheiro que sai do Caixa para pagamento de uma
despesa denomina-se Desembolso.

                                                                                           36
Captulo 5  Contas de Resultado                                                  Prof. Moreira 

So exemplos de Despesas: gua e Esgoto; Aluguis Passivos; Caf e Lanches;
Combustveis; Descontos Concedidos; Despesas Bancrias; Energia Eltrica; Fretes e
Carretos; Impostos e Taxas; Juros Passivos; Servios de Terceiros; Telefones; Orde-
nados e salrios; Seguros.



               Operaes             A Vista                     A Prazo

                  Receita            + Caixa             + Duplicatas a Receber

                 Despesa              Caixa                 + Contas a Pagar



Veja a seguir, um exemplo de Balano Patrimonial, incluindo as contas de Resultado
(Receitas e Despesas). Note que as Despesas, por conveno, so elencadas do lado
esquerdo e as Receitas do lado direito:


                          ATIVO                              PASSIVO
       BENS                                    OBRIGAES
         Caixa                       20.000     Emprstimo                      35.000
         Mercad. p/ Revenda          50.000
         Imvel                     200.000
         Mveis                      50.000
       DIREITOS                                PATRIMNIO LQUIDO
         Banco                       10.000     Capital Social              300.000
         Aplicao Financeira        30.000
       Total do Ativo               360.000 Total do Passivo                335.000

                       DESPESAS                              RECEITAS
         Custo Merc. Vendidas        50.000     Vendas de Mercadorias       100.000
         Salrios                    25.000     Rendimento Aplicaes            5.000
         gua, Luz e Telefone         5.000
       Total das Despesas            80.000 Total das Receitas              105.000

       ATIVO + DESPESAS             440.000 PASSIVO + RECEITAS              440.000


Como apresentado acima, podemos expressar da seguinte forma a equao contbil:


                         ATIVO + DESPESAS = PASSIVO + RECEITAS
                                                                                               37
Captulo 5  Contas de Resultado                                                Prof. Moreira 


5.3 APURAO DO RESULTADO
A cada exerccio social a empresa deve apurar o resultado do seu negcio, para averi-
guar se obteve lucro ou prejuzo. Este trabalho  feito atravs da confrontao das Re-
ceitas e Despesas. Se o total das Receitas for maior que o total das Despesas, a em-
presa obteve Lucro. Caso contrrio, Prejuzo.


                                              Exemplo 1
                                    Receita           100.000,00
                                    (  ) Despesa     (60.000,00)
                                    ( = ) Lucro        40.000,00



                                              Exemplo 2
                                    Receita            60.000,00
                                    (  ) Despesa    (100.000,00)
                                    ( = ) Prejuzo    (40.000,00)




5.4 REGIME DE COMPETNCIA

 universalmente adotado e aceito pelo Imposto de Renda. Evidencia o resultado de
forma mais adequada e completa. As regras so:


       Receita: ser contabilizada no perodo em que for gerada, independentemente
        do seu recebimento. Dessa forma, se a empresa vendeu a prazo em Maio/05
        para receber em Junho/05, considera-se que a receita foi gerada em Maio/05 e
        dever pertencer a este ms;
       Despesa: ser contabilizada no perodo em que for incorrida, consumida, utili-
        zada, independentemente do pagamento. Assim, se em Maio/05 a empresa pa-
        gar os salrios de seus colaboradores (que trabalharam em Abril/05), a despesa
        pertence a Abril/05, pois foi neste perodo que ela efetivamente incorreu.




                                                                                             38
Captulo 5  Contas de Resultado                                         Prof. Moreira 

Dessa forma, toda despesa gerada num determinado perodo (mesmo que ainda no
tenha sido paga) ser subtrada do total da receita gerada no mesmo perodo (mesmo
que ainda no tenha sido recebida), apurando-se o respectivo resultado, pelo regime
de competncia.



5.5 REGIME DE CAIXA

 uma forma simplificada de contabilidade, aplicado basicamente s microempresas ou
entidades sem fins lucrativos. As regras bsicas so:


       Receita: ser contabilizada no momento do seu recebimento, ou seja, quando
        entrar dinheiro no caixa;
       Despesa: ser contabilizada no momento do pagamento, ou seja, quando sair
        dinheiro do caixa (desembolso).

Assim, o resultado ser apurado, pelo regime de caixa, subtraindo-se toda despesa
paga da receita recebida.



5.6 REGIME DE COMPETNCIA  REGIME DE CAIXA
A Cia. Moreira vendeu em X1, $ 100.000 e s recebeu $ 60.000 (o restante ser rece-
bido em X2). Teve como despesa incorrida $ 80.000 e pagou somente $ 50.000 at o
ltimo dia do ano X1. Os resultados pelos dois regimes seriam:



                           Resultado       Competncia      Caixa

                    Receita                 100.000,000     60.000,00

                    (  ) Despesa            (80.000,00)   (50.000,00)

                    ( = ) Lucro/Prejuzo      20.000,00     10.000,00




                                                                                      39
Captulo 5  Contas de Resultado                                          Prof. Moreira 

A Cia. Franco Ltda. vendeu em Dezembro/2004 uma mquina por R$ 120.000,00, para
ser paga da seguinte forma: R$ 50.000,00 de entrada; R$ 35.000,00 para 30 dias (Ja-
neiro/2005) e R$ 35.000,00 para 30 dias (Fevereiro/2005).


A mesma mquina foi comprada pelo valor de R$ 80.000,00 no ms de Novem-
bro/2004 a ser paga da seguinte forma: R$ 40.000,00 de entrada; R$ 20.000,00 para
30 dias (Dezembro/2004) e R$ 20.000,00 para 60 dias (Janeiro/2005).


Sem considerar impostos, o resultado da Cia. Franco no exerccio de 2004, pelos dois
regimes seria:


                           Resultado       Competncia      Caixa

                    Receita                  120.000,00      50.000,00

                    (  ) Despesa            (80.000,00)    (60.000,00)

                    ( = ) Lucro/Prejuzo      40.000,00     (10.000,00)




                                                                                       40
Captulo 6  Contabilidade por Balanos Sucessivos I                        Prof. Moreira 




                   CAPTULO 6
     CONTABILIDADE POR BALANOS SUCESSIVOS II


6.1 ATIVO  DESPESA

No lado do Ativo, Balano Patrimonial, encontram-se os itens que traro benefcios fu-
turos para a empresa. No momento em que esses itens perderem a capacidade de tra-
zer benefcios, passaro a ser classificados como despesas. Por exemplo, quando uma
empresa adquire Materiais de Escritrio (papel sulfite, grampeadores etc.), estes so
lanados no Ativo, numa conta chamada Estoques.  medida que esses materiais so
requisitados do almoxarifado para serem consumidos, so baixados do Ativo e contabi-
lizados como despesa, pois j no traro benefcios futuros para a empresa (pois foram
consumidos).


Outro exemplo seria o caso dos Seguros. Se uma empresa fizer um seguro pelo pero-
do de 01-07-X1 a 30-06-X2, ser considerado despesa de X1, apenas o corresponden-
te a 6 meses. O restante ser classificado no Ativo, pois  um gasto que trar benef-
cios futuros, ou seja, beneficiar o ano seguinte.


Para exemplificar, vamos admitir que a Cia. Moreira contrate seguro de automvel pelo
perodo de um ano, em 31-10-X1, pagando R$ 6.000 (prmio de seguro) e tambm,
nesta data, adquira R$ 1.000 de material de escritrio. Em 31-12-X1, constata-se que
havia em estoque apenas R$ 200 de material de escritrio.


Observe-se que apenas dois meses de seguro (novembro e dezembro) foram utiliza-
dos. Dessa forma, classifica-se como despesa R$ 1.000. O restante, ou seja, R$ 500 
10 = R$ 5.000, beneficiar o ano X2, e dever ser registrado no Ativo Circulante como
Despesa do Exerccio Seguinte. No Caso do material de escritrio, R$ 200 beneficiaro
o ano seguinte, portanto, sero classificados no Ativo Circulante como Estoques. O

                                                                                         41
Captulo 6  Contabilidade por Balanos Sucessivos I                                Prof. Moreira 

restante, ou seja, R$ 800 sero considerados como Despesa, pois j foram consumi-
dos no ano X1.


                                  Balano Patrimonial em 31-12-X1

                           ATIVO                                       PASSIVO
        BENS
         Caixa
         Estoque Materiais                         200
         Despesas Antecipadas                   5.000


                       DESPESAS                                       RECEITAS
         Material de Escritrio                    800
         Seguros                                1.000




6.2 OPERAES

Veja a seguir, as alteraes que cada transao contbil provoca no Balano Patrimo-
nial:


Fato 1  Constituio de uma Empresa: Entrada inicial de capital social em dinheiro,
em 03/03/X2, no valor de R$ 300.000:


                       Aplicao (onde foi aplicado o recurso): Caixa (Bem)
            Origem (de onde veio o recurso): Capital Social (Patrimnio Lquido)

                           ATIVO                                       PASSIVO
        BENS                                             PATRIMNIO LQUIDO
         Caixa                               300.000      Capital Social         300.000
        Total do Ativo                      300.000 Total do Passivo             300.000


Fato 2  Depsito em Banco: abertura de uma conta bancria no Banco Y, em
03/03/X2, com depsito inicial de R$ 298.000:




                                                                                                 42
Captulo 6  Contabilidade por Balanos Sucessivos I                               Prof. Moreira 




                                        Aplicao: Banco (Direito)
                                            Origem: Caixa (Bem)

                           ATIVO                                      PASSIVO
         BENS                                           PATRIMNIO LQUIDO
          Caixa                                 2.000    Capital Social         300.000
         DIREITOS
          Banco                              298.000
         Total do Ativo                     300.000 Total do Passivo            300.000


Fato 3  Aquisio de Mveis e Imveis: em 05/03/X2 foi adquirido um imvel no
valor de R$ 200.000 e mveis no valor de R$ 50.000, pagos em cheque no valor de R$
250.000:




                                   Aplicao: Imvel / Mveis (Bens)
                                          Origem: Banco (Direito)

                           ATIVO                                      PASSIVO
         BENS                                           PATRIMNIO LQUIDO
          Caixa                                 2.000    Capital Social         300.000
          Imvel                             200.000
          Mveis                               50.000
         DIREITOS
          Banco                                48.000
         Total do Ativo                     300.000 Total do Passivo            300.000



Fato 4  Emprstimo Bancrio: obteno de um emprstimo junto ao Banco Y, em
06/03/X2, no valor de R$ 70.000, creditado em sua conta bancria. O pagamento ocor-
rer dentro de 60 dias. Nesse momento, no houve nenhuma despesa ou cobrana de
juros:




                                                                                                43
Captulo 6  Contabilidade por Balanos Sucessivos I                               Prof. Moreira 




                                        Aplicao: Banco (Direito)
                                    Origem: Emprstimo (Obrigao)

                           ATIVO                                      PASSIVO
       BENS                                             OBRIGAES
         Caixa                                  2.000    Emprstimo              70.000
         Imvel                              200.000
         Mveis                                50.000
       DIREITOS                                         PATRIMNIO LQUIDO
         Banco                               118.000     Capital Social         300.000
       Total do Ativo                       370.000 Total do Passivo            370.000


Fato 5  Aquisio de Mercadorias para Revenda: aquisio de trs veculos para
revenda, em 10/03/X2, nos respectivos valores de R$ 20.000, R$ 30.000 e R$ 40.000,
totalizando R$ 90.000, pagos em cheque:


                            Aplicao: Mercadorias para Revenda (Bem)
                                          Origem: Banco (Direito)

                           ATIVO                                      PASSIVO
       BENS                                             OBRIGAES
         Caixa                                  2.000    Emprstimo              70.000
         Mercad. p/ Revenda                    90.000
         Imvel                              200.000
         Mveis                                50.000
       DIREITOS                                         PATRIMNIO LQUIDO
         Banco                                 28.000    Capital Social         300.000
       Total do Ativo                       370.000 Total do Passivo            370.000



Fato 6  Aplicao Financeira: aplicao financeira com parte do saldo bancrio no
valor de R$ 25.000:




                                                                                                44
Captulo 6  Contabilidade por Balanos Sucessivos I                                   Prof. Moreira 

                               Aplicao: Aplicao Financeira (Direito)
                                          Origem: Banco (Direito)

                           ATIVO                                         PASSIVO
       BENS                                               OBRIGAES
         Caixa                                  2.000       Emprstimo               70.000
         Mercad. p/ Revenda                    90.000
         Imvel                              200.000
         Mveis                                50.000
       DIREITOS                                           PATRIMNIO LQUIDO
         Banco                                  3.000       Capital Social          300.000
         Aplicao Financeira                  25.000
       Total do Ativo                       370.000 Total do Passivo                370.000



Fato 7  Venda de Mercadorias a Vista: venda  vista de um carro (adquirido por R$
20.000) por R$ 22.000 em dinheiro, em 15/03/X2:


                                          Aplicao: Caixa (Bem)
                              Origem: Vendas de Mercadorias (Receita)

                           ATIVO                                         PASSIVO
       BENS                                               OBRIGAES
         Caixa                                 24.000       Emprstimo               70.000
         Mercad. p/ Revenda                    90.000
         Imvel                              200.000
         Mveis                                50.000
       DIREITOS                                           PATRIMNIO LQUIDO
         Banco                                  3.000       Capital Social          300.000
         Aplicao Financeira                  25.000
       Total do Ativo                       392.000 Total do Passivo                370.000

                       DESPESAS                                          RECEITAS
                                                            Vendas de Mercadorias    22.000
       Total das Despesas                               - Total das Receitas         22.000

       ATIVO + DESPESAS                     392.000 PASSIVO + RECEITAS              392.000



                                                                                                    45
Captulo 6  Contabilidade por Balanos Sucessivos I                                Prof. Moreira 

                     Aplicao: Custo das Mercadorias Vendidas (Despesa)
                              Origem: Mercadorias para Revenda (Bem)

                           ATIVO                                       PASSIVO
       BENS                                             OBRIGAES
         Caixa                                 24.000    Emprstimo               70.000
         Mercad. p/ Revenda                    70.000
         Imvel                              200.000
         Mveis                                50.000
       DIREITOS                                         PATRIMNIO LQUIDO
         Banco                                  3.000    Capital Social          300.000
         Aplicao Financeira                  25.000
       Total do Ativo                       372.000 Total do Passivo             370.000

                       DESPESAS                                       RECEITAS
         Custo Merc. Vendidas                  20.000    Vendas de Mercadorias    22.000
       Total das Despesas                     20.000 Total das Receitas           22.000

       ATIVO + DESPESAS                     392.000 PASSIVO + RECEITAS           392.000


Fato 8  Venda de Mercadorias a Prazo: em 20/03/X2 foi efetuada uma venda a pra-
zo de um carro (adquirido por R$ 40.000) por R$ 45.000, para ser recebido dentro de
30 dias, com emisso de uma nota promissria pelo cliente.


                                       Aplicao: Clientes (Direito)
                              Origem: Vendas de Mercadorias (Receita)

                           ATIVO                                       PASSIVO
       BENS                                             OBRIGAES
         Caixa                                 24.000    Emprstimo               70.000
         Mercad. p/ Revenda                    70.000
         Imvel                              200.000
         Mveis                                50.000
       DIREITOS                                         PATRIMNIO LQUIDO
         Banco                                  3.000    Capital Social          300.000
         Aplicao Financeira                  25.000
         Clientes                              45.000
       Total do Ativo                       417.000 Total do Passivo             370.000

                                                                                                 46
Captulo 6  Contabilidade por Balanos Sucessivos I                                Prof. Moreira 




                       DESPESAS                                       RECEITAS
         Custo Merc. Vendidas                  20.000    Vendas de Mercadorias    67.000
       Total das Despesas                     20.000 Total das Receitas           67.000

       ATIVO + DESPESAS                     437.000 PASSIVO + RECEITAS           437.000



                     Aplicao: Custo das Mercadorias Vendidas (Despesa)
                              Origem: Mercadorias para Revenda (Bem)

                           ATIVO                                      PASSIVO
       BENS                                             OBRIGAES
         Caixa                                 24.000    Emprstimo               70.000
         Mercad. p/ Revenda                    30.000
         Imvel                              200.000
         Mveis                                50.000
       DIREITOS                                         PATRIMNIO LQUIDO
         Banco                                  3.000    Capital Social          300.000
         Aplicao Financeira                  25.000
         Clientes                              45.000
       Total do Ativo                       377.000 Total do Passivo             370.000

                       DESPESAS                                       RECEITAS
         Custo Merc. Vendidas                  60.000    Vendas de Mercadorias    67.000
       Total das Despesas                     60.000 Total das Receitas           67.000

       ATIVO + DESPESAS                     437.000 PASSIVO + RECEITAS           437.000



Fato 9  Pagamento de Despesas: em 31/03/X2 foi feito o pagamento de salrios do
ms de maro no valor de R$ 10.000,00, em dinheiro:


                                      Aplicao: Salrios (Despesa)
                                            Origem: Caixa (Bem)




                                                                                                 47
Captulo 6  Contabilidade por Balanos Sucessivos I                                Prof. Moreira 



                           ATIVO                                      PASSIVO
       BENS                                             OBRIGAES
         Caixa                                 14.000    Emprstimo               70.000
         Mercad. p/ Revenda                    30.000
         Imvel                              200.000
         Mveis                                50.000
       DIREITOS                                         PATRIMNIO LQUIDO
         Banco                                  3.000    Capital Social          300.000
         Aplicao Financeira                  25.000
         Clientes                              45.000
       Total do Ativo                       367.000 Total do Passivo             370.000

                       DESPESAS                                       RECEITAS
         Custo Merc. Vendidas                  60.000    Vendas de Mercadorias    67.000
         Salrios                              10.000
       Total das Despesas                     70.000 Total das Receitas           67.000

       ATIVO + DESPESAS                     437.000 PASSIVO + RECEITAS           437.000



Fato 10  Apropriao de Despesa a Pagar: em 31/03/X2 foi feita a apropriao de
despesa de Energia Eltrica consumida no ms de maro, no valor de R$ 500,00, a ser
paga em 10/04/X2:


                                 Aplicao: Energia Eltrica (Despesa)
                                 Origem: Contas a Pagar (Obrigao)

                           ATIVO                                      PASSIVO
       BENS                                             OBRIGAES
         Caixa                                 14.000    Emprstimo               70.000
         Mercad. p/ Revenda                    30.000    Contas a Pagar              500
         Imvel                              200.000
         Mveis                                50.000
       DIREITOS                                         PATRIMNIO LQUIDO
         Banco                                  3.000    Capital Social          300.000
         Aplicao Financeira                  25.000
         Clientes                              45.000
       Total do Ativo                       367.000 Total do Passivo             370.500

                                                                                                 48
Captulo 6  Contabilidade por Balanos Sucessivos I                                 Prof. Moreira 



                       DESPESAS                                        RECEITAS
         Custo Merc. Vendidas                  60.000     Vendas de Mercadorias    67.000
         Salrios                              10.000
         Energia Eltrica                          500
       Total das Despesas                     70.500 Total das Receitas            67.000

       ATIVO + DESPESAS                     437.500 PASSIVO + RECEITAS            437.500



Fato 11  Contratao de Seguro: em 31/03/X2 foi efetuada contratao de seguro
de automvel com vigncia de 01/04/X2 a 31/03/X3, pagando R$ 6.000,00 de prmio
em dinheiro:


                      Aplicao: Seguro (Despesa) e Despesa Antecipada (Direito)
                                            Origem: Caixa (Bem)

                           ATIVO                                       PASSIVO
       BENS                                              OBRIGAES
         Caixa                                  8.000     Emprstimo               70.000
         Mercad. p/ Revenda                    30.000     Contas a Pagar              500
         Imvel                              200.000
         Mveis                                50.000
       DIREITOS                                          PATRIMNIO LQUIDO
         Banco                                  3.000     Capital Social          300.000
         Aplicao Financeira                  25.000
         Clientes                              45.000
         Despesa Antecipada                     1.500
       Total do Ativo                       362.500 Total do Passivo              370.500

                       DESPESAS                                        RECEITAS
         Custo Merc. Vendidas                  60.000     Vendas de Mercadorias    67.000
         Salrios                              10.000
         Energia Eltrica                          500
         Seguros                                4.500
       Total das Despesas                     75.000 Total das Receitas            67.000

       ATIVO + DESPESAS                     437.500 PASSIVO + RECEITAS            437.500


                                                                                                  49
Captulo 6  Contabilidade por Balanos Sucessivos I                                    Prof. Moreira 

Fato 12  Rendimento de Aplicao Financeira: em 31/03/X2 foi incorporado o ren-
dimento da aplicao financeira ao principal, no valor de R$ 10.000,00:


                               Aplicao: Aplicao Financeira (Direito)
                           Origem: Rendimentos de Aplicaes (Receita)

                          ATIVO                                       PASSIVO
       BENS                                             OBRIGAES
         Caixa                                  8.000    Emprstimo                   70.000
         Mercad. p/ Revenda                    30.000    Contas a Pagar                  500
         Imvel                              200.000
         Mveis                                50.000
       DIREITOS                                         PATRIMNIO LQUIDO
         Banco                                  3.000    Capital Social              300.000
         Aplicao Financeira                  35.000
         Clientes                              45.000
         Despesa Antecipada                     1.500
       Total do Ativo                       372.500 Total do Passivo                 370.500

                       DESPESAS                                       RECEITAS
         Custo Merc. Vendidas                  60.000    Vendas de Mercadorias        67.000
         Salrios                              10.000    Rendimentos de Aplicaes    10.000
         Energia Eltrica                         500
         Seguros                                4.500
       Total das Despesas                     75.000 Total das Receitas               77.000

       ATIVO + DESPESAS                     447.500 PASSIVO + RECEITAS               447.500




                                                                                                     50
Captulo 7  Demonstraes Contbeis                                        Prof. Moreira 




                             CAPTULO 7
                       DEMONSTRAES CONTBEIS


7.1 CONCEITO

Os dados coletados pela Contabilidade so apresentados periodicamente aos interes-
sados de maneira resumida e ordenada, formando assim, os Relatrios Contbeis.


Os relatrios so elaborados de acordo com as necessidades dos usurios. Evidente-
mente, um relatrio sobre o resultado anual de uma farmcia destacar muito menos
pormenores que o de uma siderrgica, que normalmente, possui um nmero elevado
de scios ou acionistas, grande volume de negcios, diversos tipos de impostos a reco-
lher, operaes em muitas agncias bancrias etc.




Dos inmeros relatrios que h em Contabilidade, destacam-se aqueles que so obri-
gatrios de acordo com a legislao brasileira. Esses relatrios so conhecidos como
demonstraes contbeis, ou ainda, demonstraes financeiras.



7.2 DEMONSTRAES CONTBEIS OBRIGATRIAS

                                                                                         51
Captulo 7  Demonstraes Contbeis                                                       Prof. Moreira 

Ao fim de cada exerccio social6, as empresas devem elaborar as seguintes demons-
traes contbeis, que devero exprimir com clareza a situao do patrimnio da com-
panhia e as mutaes ocorridas no exerccio:


     I.    Balano patrimonial;
    II.    Demonstrao dos lucros ou prejuzos acumulados;
    III.   Demonstrao do resultado do exerccio;
IV.        Demonstrao dos fluxos de caixa;
    V.     Demonstrao do valor adicionado (se companhia aberta).


A elaborao dessas demonstraes  obrigatria por determinao da legislao so-
cietria (Lei n. 6.404/1976, art. 176). Convm destacar que a companhia fechada com
patrimnio lquido, na data do balano, inferior a R$ 2.000.000,00 (dois milhes de re-
ais) no ser obrigada  elaborao e publicao da demonstrao dos fluxos de caixa,
de acordo com a Lei n 11.638/2007.



7.2.1 Incluso da DLPA na DMPL

O  2. do art. 186 da Lei n. 6.404/1976 autoriza a incluso da Demonstrao de Lu-
cros ou Prejuzos Acumulados (DLPA) numa outra demonstrao: a Demonstrao das
Mutaes do Patrimnio Lquido (DMPL), caso esta seja elaborada pela empresa.


Dessa forma, as empresas que elaborarem tal demonstrao ficam dispensadas de
elaborar em separado a Demonstrao de Lucros ou Prejuzos Acumulados, uma vez
que esta, obrigatoriamente, estar includa naquela.


As companhias de capital aberto so obrigadas a elaborar a Demonstrao das Muta-
es do Patrimnio Lquido, conforme instruo CVM 7n. 59/1986. Para as demais
empresas (companhias de capital fechado, sociedades limitadas, firmas individuais
etc.) essa demonstrao  facultativa.


6
    Ver tpico 4.4 - Perodo de Apresentao
7
  A CVM  Comisso de Valores Mobilirios  uma autarquia federal, criada com o objetivo de fiscalizar,
regulamentar e desenvolver o mercado de valores mobilirios, de modo a assegurar o exerccio de prti-
cas equitativas e coibir qualquer tipo de irregularidade.
                                                                                                          52
Captulo 7  Demonstraes Contbeis                                         Prof. Moreira 


7.2.2 Demonstraes Financeiras de Sociedades de Grande Porte

Com o advento da Lei 11.638/2007, passam a ser aplicveis s sociedades de grande
porte, ainda que no constitudas sob a forma de sociedades por aes, as disposies
da Lei n 6.404/1976, sobre escriturao e elaborao de demonstraes financeiras e
a obrigatoriedade de auditoria independente por auditor registrado na Comisso de Va-
lores Mobilirios. Para esse efeito, considera-se de grande porte, a sociedade ou o
conjunto de sociedades sob controle comum que tiver, no exerccio social anterior, ati-
vo total superior a R$ 240.000.000,00 ou receita bruta anual superior a R$
300.000.000,00.



7.3 COMPLEMENTAO S DEMONSTRAES CONTBEIS
Para publicao das Demonstraes Contbeis devem ser observadas algumas exi-
gncias. Aps a identificao da empresa, destaca-se, em primeiro plano, o Relat-
rio da Administrao. As demonstraes financeiras das sociedades por aes tam-
bm devem ser complementadas por Notas Explicativas, seguidas da assinatura dos
diretores e do Contabilista. Alm disso, no caso de companhia aberta, instituio finan-
ceira ou empresa de seguros, dever haver ainda, o Parecer dos Auditores Indepen-
dentes.



7.3.1 Relatrio da Administrao

Neste relatrio, a diretoria procura dar nfase s informaes no financeiras, dentre
elas:

       Indicadores de produtividade;
       Desenvolvimento tecnolgico;
       Desempenho em relao aos concorrentes;
       Poltica de recursos humanos;
       Projetos de expanso;
       Expectativas com relao ao futuro etc.

Tambm  conhecido como Relatrio da Diretoria ou Relatrio Anual.

                                                                                           53
Captulo 7  Demonstraes Contbeis                                         Prof. Moreira 



7.3.2 Notas Explicativas

As Notas Explicativas so normalmente destacadas aps as Demonstraes Cont-
beis. A Lei das Sociedades por Aes estabelece em seu art. 176,  4., que as de-
monstraes sero complementadas por notas explicativas e outros quadros analticos
ou demonstraes contbeis para esclarecimento da situao patrimonial e dos resul-
tados do exerccio. As notas devem indicar:


       Os principais critrios de avaliao dos elementos patrimoniais, como estoques,
        depreciao, amortizao e exausto;
       Investimentos em outras sociedades, quando for o caso;
       Obrigaes de longo prazo, destacando os credores, taxas de juros, garantias;
       Composio do capital social por tipo de aes;
       Os ajustes de exerccios anteriores etc.



7.3.3 Parecer dos Auditores

Trata-se de parecer de auditor externo, que difere do auditor interno, pois enquanto
este ltimo  empregado da empresa, o primeiro no possui qualquer tipo de vnculo
empregatcio, possuindo total independncia para expressar sua opinio.


O auditor emite sua opinio informando se as Demonstraes Financeiras representam
adequadamente a Situao Patrimonial e a Posio Financeira na data do exame. In-
forma tambm, se as mesmas foram feitas de acordo com os Princpios Fundamentais
de Contabilidade.



7.4 PERODO DE APRESENTAO

A Lei das Sociedades Annimas estabelece que, ao fim de cada perodo de 12 meses,
a diretoria da empresa far elaborar, com base na contabilidade, as demonstraes
contbeis. Este perodo  chamado de Exerccio Social ou Perodo Contbil. No h
necessidade de que o exerccio social coincida com o ano civil (01 de janeiro a 31 de


                                                                                          54
Captulo 7  Demonstraes Contbeis                                        Prof. Moreira 

dezembro). Todavia, para fins fiscais, o Imposto de Renda quer o encerramento em 31
de dezembro.


A data do trmino do exerccio social  definida pelos proprietrios da empresa e no
pode ser alterada, exceto em condies supervenientes.


Para atender as necessidades internas (fins gerenciais) e facilitar a administrao da
empresa, a contabilidade poder apresentar relatrios contbeis em perodos inferiores
a um ano (mensal, trimestral etc.).



7.5 REQUISITOS PARA PUBLICAO

As Sociedades Annimas devero publicar as Demonstraes Contbeis no Dirio Ofi-
cial e em outro jornal de grande circulao editado na localidade onde se situa a em-
presa.


As Sociedades Limitadas (Ltda.) no precisam publicar em jornal, mas devero apre-
sentar as demonstraes financeiras junto ao Imposto de Renda atravs do preenchi-
mento da declarao do Imposto de Renda.


Alguns dados so fundamentais no momento da publicao. Entre eles, destacam-se a
denominao da empresa, o ttulo da demonstrao contbil e a data do exerccio
social.


A Lei das Sociedades Annimas dispe que as demonstraes de cada exerccio se-
jam publicadas com a indicao dos valores correspondentes do exerccio anterior.
Dessa forma, o usurio conhecer os valores do exerccio atual e do exerccio anterior,
para efeito de comparabilidade. As demonstraes sero, portanto, apresentadas em
duas colunas: ano atual e ano anterior.


A legislao mencionada tambm dispe que as demonstraes contbeis podem ser
publicadas com a eliminao de dgitos, principalmente de nmeros grandes. A elimi-



                                                                                          55
Captulo 7  Demonstraes Contbeis                                        Prof. Moreira 

nao de dgitos visa facilitar as publicaes, principalmente pela necessidade de pu-
blicar as demonstraes em duas colunas.
Assim, por exemplo, quando se tm nmeros como R$ 850.586.245,00, podem-se eli-
minar os trs dgitos (245) e ficar com R$ 850.586, desde que se coloque no cabealho
das demonstraes a expresso em R$ mil. Se forem eliminados seis dgitos, coloca-
se no cabealho: em R$ milhes.




                                                                                         56
Captulo 8  Balano Patrimonial                                            Prof. Moreira 




                                   CAPTULO 8
                              BALANO PATRIMONIAL


8.1 INTRODUO

O Balano Patrimonial  considerado o relatrio mais importante gerado pela Contabili-
dade. Sua funo  identificar a sade financeira e econmica da empresa no fim do
exerccio ou em qualquer outra data estipulada.


O termo balano vem do latim, da expresso bi-lancis, que lembra Balana de dois
Pratos. Antes do advento das balanas atuais, os comerciantes utilizavam a Balana
de dois Pratos, colocando num prato a mercadoria a ser pesada e no outro prato "pe-
sos" representando quilos e gramas. Ao se obter o equilbrio nos dois pratos somavam-
se os pesos simblicos e se conhecia quando pesava a mercadoria. Etimologicamente,
ento, balano significa equilbrio, os mesmos valores em ambos os lados.




                                    Ativo          Passivo




O Ativo, lado esquerdo do quadro, representa o conjunto de bens e direitos de proprie-
dade da empresa. So os itens do patrimnio que trazem benefcios, proporcionando
ganhos para a empresa.


O Passivo, lado direito do quadro, representa:
                                                                                         57
Captulo 8  Balano Patrimonial                                                Prof. Moreira 




            As obrigaes exigveis da empresa, ou seja, as dvidas que sero reclama-
             das pelos credores;
            As obrigaes no exigveis, ou patrimnio lquido.


A legislao brasileira estabelece trs grupos de contas para o Ativo e praticamente
trs grupos de contas para o Passivo, conforme demonstrado no quadro a seguir:


                             Ativo                         Passivo

            Ativo Circulante                   Passivo Circulante

            Ativo Realizvel a Longo Prazo     Passivo Exigvel a Longo Prazo

            Ativo Permanente                   Patrimnio Lquido




8.2 ORIGENS E APLICAES DE RECURSOS

Todos os recursos que entram numa empresa passam obrigatoriamente pelo passivo e
patrimnio lquido. Os recursos so originados dos proprietrios, fornecedores, gover-
no, bancos, financeiras etc.


O Ativo, por sua vez, representa todas as aplicaes de recursos: aplicao no caixa,
em estoques, imveis, veculos, mquinas e equipamentos etc.


Vale destacar que a empresa s poder aplicar aquilo que tem origem, da a explicao
do equilbrio entre Ativo e Passivo.



8.3 CONCEITO DE CURTO E LONGO PRAZOS

Normalmente, Curto Prazo significa um perodo de at um ano. Assim, todas as contas
a receber e a pagar nos prximos 365 dias devem ser classificadas a curto prazo. Lon-
go Prazo, por sua vez, identifica um perodo superior a um ano. Dessa forma, todas as
contas a receber e a pagar aps 365 dias so classificadas a longo prazo.
                                                                                             58
Captulo 8  Balano Patrimonial                                             Prof. Moreira 

Admitindo-se que a Cia. Moreira tenha encerrado seu exerccio em 31/12/2002. Nesse
momento, todas as contas a pagar ou a receber em 2003 so classificadas como curto
prazo. Todas as contas a pagar ou a receber em 2004, 2005 etc. so classificadas co-
mo longo prazo.




Outro conceito de curto prazo est relacionado ao ciclo operacional da empresa. En-
tende-se por ciclo operacional o perodo de tempo que uma indstria, por exemplo, leva
para produzir seu estoque, vend-lo e receber as duplicatas geradas na venda, entran-
do em caixa. Em sntese,  o tempo que a empresa leva para produzir, vender e rece-
ber.

O ciclo operacional de um supermercado  relativamente rpido (em mdia 30 dias),
pois este tipo de empresa possui um giro rpido. Uma indstria naval, no entanto, tem
um ciclo operacional mais demorado, podendo ultrapassar um ano. Pela Lei das Socie-
dades Annimas, se o ciclo operacional de uma empresa for superior a um ano, o con-
ceito de curto prazo passa a valer pelo ciclo operacional. A regra geral : considera-se
curto prazo o perodo de 12 meses ou o ciclo operacional, valendo o maior.



8.4 GRUPOS DE CONTAS DO ATIVO
No Ativo as contas so dispostas em ordem decrescente de grau de liquidez dos ele-
mentos nela registrados, isto , de acordo com a rapidez com que podem ser converti-
dos em dinheiro, nos seguintes grupos:

       Ativo Circulante
       Ativo Realizvel a Longo Prazo
       Ativo Permanente

                                                                                           59
Captulo 8  Balano Patrimonial                                             Prof. Moreira 


8.4.1 Ativo Circulante

O dinheiro, que  o item mais lquido,  agrupado com outros itens que sero transfor-
mados em dinheiro, consumidos ou vendidos a curto prazo: Contas a Receber, Inves-
timentos temporrios, Estoques, conforme a seguir:


       Disponvel: Caixa e Bancos.
       Clientes: so os valores ainda no recebidos dos clientes, decorrentes de ven-
        das de mercadorias ou prestao de servios a prazo, tambm denominados
        duplicatas a receber.
       Investimentos Temporrios: so aplicaes por um curto perodo, pois, to lo-
        go a empresa necessite do dinheiro, ela se desfaz da aplicao.
       Estoques: so denominados estoques, os bens destinados  fabricao de pro-
        dutos (matrias-primas e materiais de consumo industrial); os produtos acaba-
        dos e os produtos em elaborao no momento do levantamento do balano; os
        bens destinados  revenda (mercadorias); as embalagens e os bens destinados
        ao consumo da prpria empresa (o "almoxarifado" de manuteno, de materiais
        de escritrio etc.).


O ativo circulante  o grupo que gera dinheiro para a empresa pagar suas contas a cur-
to prazo. Esse grupo  conhecido como Capital de Giro, pois seus itens esto sempre
renovando.



8.4.2 Ativo Realizvel a Longo Prazo

So classificveis neste grupo contas da mesma natureza das do Ativo Circulante que,
todavia, tenham sua realizao, certa ou provvel, a longo prazo.  feita, todavia, pela
Lei das Sociedades Annimas, uma exceo, ao definir que, os crditos de "coligadas
ou controladas, diretores, acionistas ou participantes no lucro", oriundos de negcios
no usuais na explorao do objeto da companhia, devem ser tambm classificados no
longo prazo, mesmo vencveis ou com previso de recebimento a curto prazo. Exem-
plos:



                                                                                           60
Captulo 8  Balano Patrimonial                                             Prof. Moreira 


       Adiantamentos ou emprstimos para suprir necessidades de caixa de empresas
        coligadas ou controladas;
       Emprstimos ou adiantamentos a diretores e acionistas.



8.4.3 Ativo Permanente

Compreende itens que dificilmente se transformaro em dinheiro, pois no se destinam
a venda, mas so utilizados como meios de produo ou meios para se obter renda
para a empresa.  tambm conhecido como Ativo Fixo e os bens classificados neste
grupo possuem vida til longa. O Ativo Permanente divide-se em 3 grupos:


       Investimentos: so aplicaes que nada tem a ver com a atividade da empresa.
        Por exemplo, as participaes permanentes no capital de outras sociedades
        (compra de aes de outras empresas), obras de arte, terrenos para futura ex-
        panso, imveis para renda (aluguel);
       Imobilizado: so os bens corpreos destinados  manuteno da atividade
        principal da empresa ou exercidos com essa finalidade, como por exemplo, m-
        quinas, equipamentos, prdios (em uso), ferramentas, mveis e utenslios, insta-
        laes, veculos etc.;
       Intangvel: so os direitos que tenham por objeto bens incorpreos destinados 
        manuteno da companhia ou exercidos com essa finalidade, tais como as mar-
        cas e patentes e fundo de comrcio;
       Diferido: so as despesas pr-operacionais (gastos antes da inaugurao da
        empresa, propaganda, abertura de firma, treinamento de empregados etc.) e os
        gastos de reestruturao que contribuiro, efetivamente, para o aumento do re-
        sultado de mais de um exerccio social.



8.5 GRUPOS DE CONTAS DO PASSIVO

As contas do Passivo sero agrupadas de acordo com o seu vencimento, ou seja, a-
quelas que sero liquidadas mais rapidamente integraro um primeiro grupo. J as que



                                                                                           61
Captulo 8  Balano Patrimonial                                             Prof. Moreira 

sero pagas num prazo mais longo formaro outro grupo. Os grupos de contas so os
seguintes:


       Passivo Circulante
       Passivo Exigvel a Longo Prazo
       Patrimnio Lquido



8.5.1 Passivo Circulante

Evidencia todas as obrigaes da empresa, inclusive financiamentos para aquisio de
bens e direitos do Ativo Permanente, cujo vencimento ocorrer no curto prazo: dvidas
com fornecedores de mercadorias, matrias-primas etc., salrios a pagar, encargos
sociais a pagar, tributos a pagar, aluguis a pagar, gua, energia eltrica e telefone a
pagar etc.



8.5.2 Passivo Exigvel a Longo Prazo

Compreende as obrigaes da empresa cujo vencimento ocorrer no longo prazo: fi-
nanciamentos para aquisio de bens do Ativo Permanente, debntures, ttulos a pagar
etc.


Sempre que possvel,  interessante que a empresa concentre mais suas dvidas no
longo prazo, pois ter mais tempo para gerar recursos financeiros para quit-las.



8.5.3 Patrimnio Lquido

Demonstra o total dos investimentos dos proprietrios (Capital) mais o Lucro Acumula-
do, ou seja, a parcela do lucro ainda no distribuda aos proprietrios, mas reinvestida
na empresa. Tambm so encontradas neste grupo as Reservas, cujo conceito ser
estudado adiante.




                                                                                           62
Captulo 8  Balano Patrimonial                                                    Prof. Moreira 



8.6 BALANO PATRIMONIAL  UM RESUMO

                         Ativo                                   Passivo

   Ativo Circulante                              Passivo Circulante
   - Ser transformado em dinheiro rapida-       - Ser pago rapidamente, no curto prazo
   mente, no curto prazo

   Ativo Realizvel a Longo Prazo                Passivo Exigvel a Longo Prazo
   - Espera-se muito tempo para receber          - Demora-se muito tempo para pagar (longo
   (longo prazo)                                 prazo)

   Ativo Permanente                              Patrimnio Lquido
   - Normalmente no se vende, no se re-        - No precisa pagar enquanto a empresa
   cebe, pois  para uso.                        estiver em continuidade




8.7 DELIBERAO CVM 488/2005
Considerando a importncia e a necessidade de que as prticas contbeis brasileiras
sejam convergentes com as prticas contbeis internacionais, a CVM (Comisso de
Valores Mobilirios) tornou obrigatrio, para as companhias abertas, o pronunciamen-
to anexo  Deliberao n 488/2005, sobre Demonstraes Contbeis - Apresentao
e Divulgaes. O Balano Patrimonial deve ser publicado de acordo com a seguinte
estrutura:

                   Ativo                                       Passivo
   Ativo Circulante                              Passivo Circulante
   - Disponibilidades e aplicaes financeiras   - Financiamentos
   - Contas a receber de clientes                - Contas a Pagar a Fornecedores
   - Estoques                                    - Impostos sobre a Renda a Pagar
   - Pagamentos antecipados                      - Outros Tributos a Recolher
   - Crditos diversos                           - Provises
                                                 Passivo No Circulante
   Ativo No Circulante                          - Financiamentos
   - Ativo Realizvel a Longo Prazo              - Contas a Pagar a Fornecedores
   - Investimento                                - Impostos sobre a Renda a Pagar
   - Ativo Imobilizado                           - Outros Tributos a Recolher
   - Ativo Intangvel                            - Provises
   - Ativo Diferido                              Patrimnio Lquido
                                                 - Capital
                                                 - Reservas
                                                 - Lucros (prejuzos) Acumulados

                                                                                                 63
Captulo 9  Demonstrao do Resultado do Exerccio                                   Prof. Moreira 




                  CAPTULO 9
     DEMONSTRAO DO RESULTADO DO EXERCCIO


9.1 EFEITO DO LUCRO NO BALANO

As Contas de Resultado (Despesas e Receitas) aparecem durante o exerccio social
(geralmente com durao de 1 ano) e encerram-se no final do mesmo. Apesar de no
constarem no Balano Patrimonial,  atravs delas que apuramos o resultado do exer-
ccio que  acumulado no Patrimnio Lquido, quando no distribudo aos scios na
forma de dividendos. Veja a seguir uma demonstrao grfica da relao entre o Ba-
lano Patrimonial e as Contas de Resultado:


                                 Ativo                            Passivo


                                                       Patrimnio Lquido

                                                        Lucros/Prejuzos Acumulados

                                                        Apurao do Resultado
                                                       Receitas
                                                       ( - ) Despesas
                                                       ( = ) Lucro/Prejuzo



Dessa forma, com a apurao do resultado do exerccio e o respectivo encerramento
das contas de resultado, podemos eliminar os grficos de Despesas e Receitas, que
eram apresentados em conjunto com os grficos de Ativo e Passivo, no Balano Patri-
monial. Transferindo o resultado apurado para a conta "Lucros ou Prejuzos Acumula-
dos" do Patrimnio Lquido, o Ativo passa a ter o mesmo valor do Passivo, e podemos
expressar a equao contbil da seguinte forma:


                                           ATIVO = PASSIVO

                                                                                                   64
Captulo 9  Demonstrao do Resultado do Exerccio                                    Prof. Moreira 

Veja a seguir, um exemplo de apurao de resultado do exerccio e o respectivo encer-
ramento das contas de Despesas e Receitas:

    a) Balano Patrimonial antes da apurao do resultado do exerccio:

                         ATIVO                                        PASSIVO
       Circulante                                      Circulante
         Caixa e Bancos                      10.000     Emprstimo                   15.000
         Mercadorias                       200.000      Contas a Pagar                5.000

       Permanente                                      Patrimnio Lquido
         Imobilizado                                    Capital Social              200.000
           Mveis e Utenslios               40.000
       Total do Ativo                     250.000 Total do Passivo                  220.000

                      DESPESAS                                       RECEITAS
         Custo Merc. Vendidas                50.000     Vendas de Mercadorias        99.000
         Salrios                            19.000     Rendimentos de Aplicaes     1.000
         Energia Eltrica                     1.000
       Total das Despesas                   70.000 Total das Receitas               100.000

       ATIVO + DESPESAS                   320.000 PASSIVO + RECEITAS                320.000


    b) Balano Patrimonial aps a apurao do resultado do exerccio:


                         ATIVO                                        PASSIVO
       Circulante                                      Circulante
         Caixa e Bancos                      10.000     Emprstimo                   15.000
         Mercadorias                       200.000      Contas a Pagar                5.000

       Permanente                                      Patrimnio Lquido
         Imobilizado                                    Capital Social              200.000
           Mveis e Utenslios               40.000     Lucros Acumulados            30.000
       Total do Ativo                     250.000 Total do Passivo                  250.000


                                   APURAO DO RESULTADO
                                Receitas                         100.000
                                (  ) Despesas                   (70.000)
                                ( = ) Lucro                         30.000


                                                                                                    65
Captulo 9  Demonstrao do Resultado do Exerccio                        Prof. Moreira 



9.2 DEMONSTRAO DO RESULTADO DO EXERCCIO

A apurao do resultado do exerccio  evidenciada atravs da Demonstrao do Re-
sultado de Exerccio, que trata-se de um resumo ordenado das receitas, custos e
despesas da empresa em determinado perodo, normalmente 12 meses.  apresenta-
da de forma dedutiva (vertical), ou seja, das receitas subtraem-se as despesas e cus-
tos, e em seguida, indica-se o resultado (lucro ou prejuzo).



9.3 COMO APURAR A RECEITA BRUTA


                                             Faturamento Bruto

                                      ( - ) IPI

                                             Receita Bruta



O Faturamento Bruto  o Valor Total da Nota Fiscal com IPI  Imposto sobre Produtos
Industrializados.




9.4 COMO APURAR A RECEITA LQUIDA


                              Receita Bruta

                      ( - ) Impostos sobre Vendas

                      ( - ) Devolues

                      ( - ) Abatimentos e Descontos Incondicionais

                              Receita Lquida




                                                                                        66
Captulo 9  Demonstrao do Resultado do Exerccio                        Prof. Moreira 

A Receita Bruta  o total bruto vendido no perodo, sem IPI. Nela so inclusos os im-
postos sobre vendas (os quais pertencem ao governo) e dela no foram subtradas as
devolues (vendas canceladas) e os abatimentos (descontos) ocorridos no perodo.
Impostos e taxas sobre vendas so aqueles gerados no momento da venda. So eles:


       ICMS  Imposto sobre Circulao de Mercadorias e Servios;
       ISS  Imposto sobre Servios;
       PIS  Programa de Integrao Social;
       COFINS  Contribuio para a Seguridade Social.


Como os impostos de vendas no pertencem a empresa, mas ao governo, devem ser
deduzidas da receita bruta. A empresa  mera intermediria que arrecada impostos
junto ao consumidor. Devolues so mercadorias devolvidas por estarem em desa-
cordo com o pedido (preo, qualidade, quantidade, avaria), podendo ser parciais ou
totais. s vezes, a empresa vendedora, na tentativa de evitar a devoluo, prope um
abatimento no preo (desconto) para compensar o prejuzo ao comprador. Tanto a de-
voluo como o abatimento aparecem deduzindo a Receita Bruta na DRE.


Suponha-se que a Companhia Fracasso tenha vendido R$ 10.000,00 de mercadorias
de m qualidade, metade para o comprador A e metade para o comprador B. O com-
prador A devolveu 20% do lote e a empresa B aceitou a proposta da Companhia Fra-
casso de 10% de abatimento para evitar devoluo.




                                     Receita Bruta     10.000,00
                              ( - ) Dedues
    A  20% de
    R$ 5.000,00                          Devoluo     (1.000,00)
                                                                         B  10% de
                                         Abatimentos    (500,00)         R$ 5.000,00
                                     Receita Lquida    8.500,00




Conclumos que, dedues so ajustes (e no despesas) realizadas sobre a Receita
Bruta para se apurar a Receita Lquida.


                                                                                        67
Captulo 9  Demonstrao do Resultado do Exerccio                          Prof. Moreira 


9.5 COMO APURAR O LUCRO BRUTO


                                             Receita Lquida

                                      ( - ) Custo das Vendas

                                             Lucro Bruto



Lucro bruto  a diferena entre a venda e o custo dessa venda, sem considerar as des-
pesas. Ou seja, subtrai-se da receita, o custo da mercadoria ou do produto ou do servi-
o para ser colocado  disposio do consumidor, desprezando-se as despesas admi-
nistrativas, financeiras e de vendas. A expresso Custo das Vendas pode ser especifi-
cada por setor na economia:


       Para empresas industriais o custo das vendas  denominado CPV (Custo do
        Produto Vendido).
       Para empresas comerciais o custo das vendas  denominado CMV (Custo das
        Mercadorias Vendidas).
       Para empresas prestadoras de servios o custo das vendas  denominado CSP
        (Custo dos Servios Prestados).



9.6 DIFERENA ENTRE DESPESA E CUSTO

Numa indstria custo  todo gasto da fbrica (produo): matria-prima, mo-de-obra,
energia eltrica, manuteno, embalagem etc. Despesa so os gastos do escritrio,
seja na administrao, ou seja, no departamento de vendas. Assim sendo, o gasto com
aluguel pode ser tratado como custo ou despesa: tratando-se de aluguel referente ao
prdio da fbrica, ser considerado custo; tratando-se de aluguel referente ao prdio do
escritrio (administrao), ser considerado despesa. O mesmo raciocnio vale para o
IPTU, salrios, materiais, depreciao etc.




                                                                                           68
Captulo 9  Demonstrao do Resultado do Exerccio                         Prof. Moreira 

Numa empresa comercial o gasto de aquisio da mercadoria a ser revendida  trata-
do como custo. J numa empresa de prestao de servios a mo-de-obra aplicada
no servio prestado mais o material utilizado  tratado como custo. Para ambas as ati-
vidades, todos os gastos na administrao so tratados como despesa.


Numa empresa que presta servios de limpeza consideram-se como custo: salrios da
faxineira, superviso dos servios, material de limpeza, depreciao dos equipamentos
utilizados no servio prestado etc. J num hospital, computam-se como custo: salrios
dos mdicos e enfermeiros, medicamentos aplicados ao paciente, alimentao dos pa-
cientes, lavanderia, aluguel do hospital etc.


Assim sendo, embora custos e despesas significam reduo do lucro, a contabilidade
preocupa-se em separ-los para fins de anlise da DRE.


Vale lembrar que, o assunto Custos ser amplamente estudado na disciplina Contabili-
dade de Custos.



9.7 COMO APURAR O RESULTADO OPERACIONAL


                                     Lucro Bruto

                             ( - ) Despesas Comerciais

                             ( - ) Despesas Administrativas

                             (  ) Despesa Financeira Lquida

                                     Resultado Operacional



O Resultado Operacional  obtido atravs da diferena entre o Lucro Bruto e as Des-
pesas Operacionais. As despesas operacionais so todos os gastos necessrios para
vender os produtos e administrar a empresa. Os principais grupos so:




                                                                                         69
Captulo 9  Demonstrao do Resultado do Exerccio                                      Prof. Moreira 


       Despesas de Vendas: abrange desde a promoo do produto at sua coloca-
        o junto ao consumidor (comercializao e distribuio). So despesas com o
        pessoal da rea de venda, comisses sobre vendas, propaganda e publicidade,
        marketing, estimativa de perdas ou no recebimento de duplicatas derivadas de
        vendas a prazo (proviso para devedores duvidosos);
       Despesas Administrativas: so aquelas necessrias para administrar a em-
        presa. De maneira geral, so os gastos nos escritrios que visam  direo ou 
        gesto da empresa. Exemplos: honorrios administrativos, salrios e encargos
        sociais do pessoal administrativo, aluguis de escritrios, materiais de escritrio,
        seguro de escritrio, depreciao de mveis e utenslios, assinaturas de jornais
        etc.
       Despesas Financeiras: so as remuneraes aos capitais de terceiros, tais
        como: juros pagos, descontos concedidos, juros de mora pagos etc.


As receitas financeiras devem ser compensadas com as Receitas Financeiras (confor-
me disposio legal).


  Despesa Financeira > Receita Financeira              Despesa Financeira < Receita Financeira
  Despesas Financeiras                  280.000,00     Despesas Financeiras         280.000,00
  Receitas Financeiras                  (80.000,00)    Receitas Financeiras         (390.000,00)
  Despesa Financeira Lquida            200.000,00     Despesa Financeira Lquida   (110.000,00)

               Despesas Operacionais                             Despesas Operacionais
  Despesas de Vendas                    300.000,00     Despesas de Vendas           300.000,00
  Despesas Administrativas              400.000,00     Despesas Administrativas     400.000,00
  Despesa Financeira Lquida            200.000,00     Despesa Financeira Lquida   (110.000,00)
                                        900.000,00                                  590.000,00


As receitas financeiras so as derivadas de aplicaes financeiras, juros de mora rece-
bidos, descontos obtidos etc.



9.8 COMO APURAR O RESULTADO ANTES DO IR E CS



                                                                                                      70
Captulo 9  Demonstrao do Resultado do Exerccio                        Prof. Moreira 




                                     Resultado Operacional

                             ( - ) Despesas no Operacionais

                             ( + ) Receitas no Operacionais

                                     Resultado Antes do IR e CS




As despesas e receitas no relacionadas com o objetivo do negcio da empresa so
classificadas como no operacionais. O caso mais comum de Receitas e Despesas
no Operacionais ocorre quando  realizada a venda de um item do Ativo Imobilizado.
O valor da venda  contabilizado como Receita no Operacional. O valor residual do
bem, contabilizado no Ativo,  baixado como Despesa no Operacional.




9.9 COMO APURAR O RESULTADO ANTES DAS PARTICIPA-
ES


                                   Resultado Antes do IR e CS

                            ( - ) Proviso para IR

                            ( - ) Proviso para Contribuio Social

                                   Resultado antes das Participaes




O imposto de renda incide sobre o lucro da empresa. Quando se apura no exerccio
social um lucro, apura-se 15% sobre o lucro referente ao imposto de renda normal. Se-
r calculado adicional de 10% sobre o valor do lucro que exceder o limite estipulado
pela legislao vigente, fixado atualmente em R$ 240.000,00 anuais ou R$ 20.000,00
mensais. Veja um exemplo de clculo do IR anual:


                                                                                        71
Captulo 9  Demonstrao do Resultado do Exerccio                            Prof. Moreira 



                  Lucro Antes do Imposto de Renda                 500.000,00

                  Clculo do Imposto:

                      Alquota 15% s/ 500.000,00                   75.000,00

                      Alquota 10% s/ (500.000,00  240.000,00)    26.000,00

                  Total do Imposto de Renda                       101.000,00



A alquota da Contribuio Social  de 9%, aplicada sobre o Lucro Antes do IR e CS.



9.10 COMO APURAR O RESULTADO LQUIDO

O Resultado Lquido  a sobra lquida  disposio dos proprietrios (scios ou acionis-
tas). Normalmente participaes so complementos  remunerao de empregados e
administradores.  estipulado um percentual sobre o lucro.




                               Resultado antes das Participaes

                        ( - ) Participaes

                               Resultado Lquido




                                                                                            72
Captulo 9  Demonstrao do Resultado do Exerccio               Prof. Moreira 



9.11 ESTRUTURA COMPLETA DA DRE

                         Faturamento Bruto
                 (-)     IPI
                         Receita Bruta
                 (-)     Impostos sobre Vendas
                 (-)     Devolues
                 (-)     Abatimentos e Descontos Incondicionais
                         Receita Lquida
                 (-)     Custo das Vendas
                         Lucro Bruto
                 (-)     Despesas Comerciais
                 (-)     Despesas Administrativas
                 ()     Despesa Financeira Lquida
                         Resultado Operacional
                 (-)     Despesas no Operacionais
                 (+)     Receitas no Operacionais
                         Resultado Antes do IR e CS
                 (-)     Proviso para IR
                 (-)     Proviso para Contribuio Social
                         Resultado Antes das Participaes
                 (-)     Participaes
                         Resultado Lquido




                                                                               73
Captulo 10  Atos e Fatos Administrativos                                Prof. Moreira 




                              CAPTULO 10
                     ATOS E FATOS ADMINISTRATIVOS


10.1 ATOS ADMINISTRATIVOS

Atos Administrativos so os acontecimentos que ocorrem na empresa que no provo-
cam alteraes no Patrimnio e, portanto, no interessam  Contabilidade, como por
exemplo: admisso de empregados, assinatura de contratos de compras, aval de ttu-
los etc.



10.2 FATOS ADMINISTRATIVOS

Fatos Administrativos so os acontecimentos que provocam variaes nos elementos
do patrimnio, podendo ou no alterar o valor do Patrimnio Lquido. So exemplos de
fatos: compra de mquinas e equipamentos  vista (ou a prazo), pagamento de contas
a pagar, depsito de dinheiro em banco, venda de automvel, pagamento de comis-
ses etc.

Os Fatos Administrativos podem ser classificados em trs grupos:




                                                                                       74
Captulo 10  Atos e Fatos Administrativos                                  Prof. Moreira 



10.2.1 Fatos Permutativos

So considerados permutativos, os fatos que provocam permutaes entre os valores
do Ativo e/ou Passivo, sem alterar o valor do Patrimnio Lquido.


Exemplo 1: Compra de mercadorias  vista

     Aumenta o Ativo (Mercadorias para Revenda)
     Diminui o Ativo (Caixa)

    Se entra no Ativo (Mercadorias para Revenda) o mesmo valor que sai (Caixa), o va-
    lor total do Ativo no se altera, pois h apenas uma troca (permutao) entre Mer-
    cadorias para Revenda e Caixa.


Exemplo 2: Compra de mercadorias a prazo

     Aumenta o Ativo (Mercadorias para Revenda)
     Aumenta o Passivo (Fornecedores)

    Se entra no Ativo (Mercadorias para Revenda) o mesmo valor que entra no Passivo
    (Fornecedores), o valor total do Ativo e Passivo aumentam na mesma proporo,
    sem alterar o Patrimnio Lquido, sendo considerado um fato permutativo aumenta-
    tivo.


Exemplo 3: Pagamento de duplicatas


     Diminui o Ativo (Caixa)
     Diminui o Passivo (Fornecedores)


    Se sai do Passivo (Fornecedores) o mesmo valor que sai do Ativo (Caixa), o valor
    total do Ativo e Passivo diminuem na mesma proporo, sem alterar o Patrimnio
    Lquido, sendo considerado um fato permutativo diminutivo.




                                                                                         75
Captulo 10  Atos e Fatos Administrativos                                  Prof. Moreira 



10.2.2 Fatos Modificativos

Os fatos modificativos so aqueles que envolvem contas de resultado e, provocam alte-
raes, para mais ou para menos, no Patrimnio Lquido.


Exemplo 1: Pagamento de despesas


     Diminui o Ativo (Caixa)
     Diminui o Patrimnio Lquido (Lucros Acumulados)


    Se sai um valor do Ativo (Caixa), sem entrar neste ou sem sair do Passivo Exigvel
    o mesmo valor, e diminuindo o Patrimnio Lquido (Lucros Acumulados), temos um
    fato modificativo diminutivo.


Exemplo 2: Vendas  vista


     Aumenta o Ativo (Caixa)
     Aumenta o Patrimnio Lquido (Lucros Acumulados)


    Se entra um valor no Ativo (Caixa), sem qualquer outra sada no ativo ou entrada no
    Passivo, e aumentando o Patrimnio Lquido (Lucros Acumulados), temos um fato
    modificativo aumentativo.




10.2.3 Fatos Mistos

Os fatos mistos so aqueles que envolvem, ao mesmo tempo, um fato permutativo e
um fato modificativo. Pode, portanto, acarretar alteraes no Ativo e no Patrimnio L-
quido, ou no Passivo e no Patrimnio Lquido ao mesmo tempo.


Exemplo 1: Recebimento de duplicata com desconto


     Aumenta o Ativo (Caixa)

                                                                                          76
Captulo 10  Atos e Fatos Administrativos                                 Prof. Moreira 


     Diminui o Ativo (Duplicatas a Receber)
     Diminui o Patrimnio Lquido (Lucros Acumulados)


    Se, por exemplo, uma duplicata de R$ 1.000 for recebida com um desconto de 10%,
    o caixa aumenta em R$ 900 e as duplicatas a receber diminuem em R$ 1.000. Logo
    o Ativo ficar reduzido em R$ 100, e, conseqentemente, o Patrimnio Lquido tam-
    bm ficar reduzido no mesmo valor, pois esse desconto  considerado uma des-
    pesa. Esse exemplo  considerado um fato misto diminutivo.


Exemplo 2: Recebimento de duplicata com juro


     Aumenta o Ativo (Caixa)
     Diminui o Ativo (Duplicatas a Receber)
     Aumenta o Patrimnio Lquido (Lucros Acumulados)


    Se, por exemplo, uma duplicata de R$ 1.000 for recebida com um juro de 10%, o
    caixa aumenta em R$ 1.100 e as duplicatas a receber diminuem em R$ 1.000. Lo-
    go, como o Ativo ficar aumentado em R$ 100,00, o Patrimnio Lquido tambm fi-
    car aumentado do mesmo valor, pois esse juro  considerado uma receita. Esse 
    um exemplo de fato misto aumentativo.




                                                                                        77
Captulo 11  Princpios Fundamentais de Contabilidade                         Prof. Moreira 




                  CAPTULO 11
   PRINCPIOS FUNDAMENTAIS DE CONTABILIDADE


11.1 CONCEITO

 medida que as necessidades de controle foram surgindo, a contabilidade foi criando
instrumentos para o registro de todos os fatos que afetam o patrimnio de uma entida-
de. Em alguns momentos da histria da contabilidade, surgiram dvidas quanto ao me-
lhor critrio de registro de determinadas transaes. Diante disso, os primeiros conta-
dores tiveram de fazer algumas opes, que acabaram sendo adotadas pelos demais
colegas, ficando como regras, que passaram a ser seguidas e aceitas por todos. Essas
regras bsicas que foram adotadas denominamos Princpios Contbeis e hoje formam
o arcabouo terico que sustenta toda a contabilidade. Princpios Fundamentais de
Contabilidade significam, ento, as regras em que se assentam toda a estrutura terica
para a escriturao e anlise contbil. Podemos classificar os princpios fundamentais
em trs categorias: POSTULADOS, PRINCPIOS e CONVENES.



11.2 POSTULADOS

Postulados significam os elementos vitais, elementos bsicos, em que se estruturam
toda a contabilidade atual. So afirmaes para as quais no h necessidade de pro-
vas e no h risco de desatualizao. So os pilares que sustentam a teoria.



11.2.1 Entidade

Reconhece o Patrimnio como objeto da Contabilidade. Este postulado diz que a con-
tabilidade de uma entidade (empresa, pessoa, entidade filantrpica) no pode ser con-
fundida com a contabilidade dos membros que a possuem. Em outras palavras, a escri-

                                                                                            78
Captulo 11  Princpios Fundamentais de Contabilidade                      Prof. Moreira 

turao de uma empresa tem de ser completamente dissociada da escriturao de
seus proprietrios.



11.2.2 Continuidade

Este postulado diz que a empresa deve ser avaliada e, por conseguinte, ser escritura-
da, na suposio de que a entidade nunca ser extinta. Os ativos dessa empresa sero
avaliados partindo desse pressuposto. Assim a empresa deve ser considerada um or-
ganismo em movimento contnuo de produo, venda, compra, consumo, investimen-
tos etc.




11.3 PRINCPIOS

Os princpios so regras e normas geralmente aceitas, sujeitas a mutaes ao longo do
tempo, de acordo com as novas exigncias do mercado. So reconhecidos pela ONU e
possuem aceitao universal.



11.3.1 Denominador Comum Monetrio

Sendo os componentes do Patrimnio de natureza diversa,  fundamental que todos
sejam quantificados numa mesma unidade monetria, para que possam fazer parte de
um mesmo relatrio. A Contabilidade tem como princpio, a quantificao por valor, na
moeda do pas do local da entidade. Assim, se uma empresa brasileira contrai uma
dvida em dlares, dever contabiliz-la em reais na escriturao comercial, apesar de
manter um controle extra-contbil em dlares.



11.3.2 Competncia

Consiste no fato de que as receitas e despesas devem ser includas na apurao do
resultado da empresa do perodo em que ocorrerem, sempre simultaneamente quando
se relacionarem, independentemente de pagamento ou recebimento. Uma receita 


                                                                                         79
Captulo 11  Princpios Fundamentais de Contabilidade                       Prof. Moreira 

considerada realizada no momento em que os bens ou servios so fornecidos pela
empresa a seu cliente, independente do recebimento do valor correspondente  venda.
Uma despesa  considerada incorrida no momento em que ocorra o consumo de bens
ou a utilizao de servios, independentemente do pagamento do valor devido.



11.3.3 Custo Histrico como Base de Valor

Determina que componentes do Patrimnio devam ser registrados pelos valores origi-
nais das transaes, ou seja, pelo valor da aquisio (valor de entrada dos bens, direi-
tos e obrigaes), evitando eventuais subjetividades de avaliaes dos itens movimen-
tados.



11.4 CONVENES

Reconhecidas pela ONU e aceitas universalmente, as convenes so restries aos
princpios, sujeitas a mutaes, objetos de inmeros estudos, que visam averiguar sua
validade prtica no campo contbil.



11.4.1 Objetividade

O contador deve ser objetivo. Quando efetuar uma escriturao de um fato, ele precisa
alicerar-se de elementos objetivos, visando tirar o mximo possvel de subjetividade
no lanamento contbil. O valor deve ter um documento hbil que avalize o lanamen-
to. O objeto deve ser passvel de mensurao, e o contador no deve imprimir marca
pessoal na avaliao do objeto.



11.4.2 Conservadorismo ou Prudncia

Determina a adoo do menor valor para os componentes do Ativo e do maior para os
do Passivo, sempre que se apresentem alternativas igualmente vlidas para o registro
contbil. Isto,  claro, resulta na obteno do menor Patrimnio Lquido. A aplicao


                                                                                           80
Captulo 11  Princpios Fundamentais de Contabilidade                      Prof. Moreira 

desta conveno no deve, todavia, levar a excessos ou a situaes classificveis co-
mo manipulaes do resultado.



11.4.3 Materialidade

Esta conveno est ligada basicamente  anlise do custo/benefcio da informao. O
contador deve sempre buscar a exatido numrica no lanamento, desde que o custo
dessa exatido no seja prejudicial a empresa. Valores grandes e relevantes devem ter
anlise muito mais acurada do que os valores pequenos, que podem ser tratados de
forma mais simples e resumida. De nada adianta, por exemplo, detalhar na Contabili-
dade as despesas de cafezinho, quando s vezes tenho a mensurao do estoque feita
de forma inadequada.



11.4.4 Consistncia ou Uniformidade

Esta conveno diz que, depois que o contador adotou determinado critrio de avalia-
o de um ativo ou passivo, ele dever adotar esse critrio consistentemente ao longo
dos anos. Deve aplicar esse critrio uniformemente no tempo. A possibilidade de mu-
dana de critrio adotado  possvel, desde que seja evidenciado em nota explicativa e
que as mudanas efetuadas no sejam de forma nitidamente repetitiva.




                                                                                         81
Captulo 12  Plano de Contas                                                 Prof. Moreira 




                                   CAPTULO 12
                                 PLANO DE CONTAS


12.1 INTRODUO

O Plano de Contas  o agrupamento ordenado de todas as contas que sero utiliza-
das pela Contabilidade de uma empresa, sendo indispensvel para o registro de todos
os fatos contbeis e servindo como parmetro para a elaborao das demonstraes
contbeis.


Em outras palavras, o Plano de Contas  o instrumento que o profissional consulta
quando vai fazer o lanamento contbil, pois indica qual conta deve ser utilizada.


O Plano de Contas constitui-se num conjunto de normas, do qual deve fazer parte ain-
da, o Manual de Contas (descrio do funcionamento de cada conta, com comentrios
e indicaes gerais sobre a aplicao e o uso de cada uma delas).


Cada empresa ter seu prprio Plano de Contas, de acordo com sua atividade e seu
tamanho (micro, pequena, mdia ou grande). No h razo, por exemplo, para uma
empresa prestadora de servios ter uma conta de Estoque em seu Ativo Circulante,
pois, normalmente, ela no realizar operaes com mercadorias. Portanto, na elabo-
rao do Plano de Contas, o contador dever fazer constar as contas que sero movi-
mentadas pela contabilidade em decorrncia das operaes da empresa ou, ainda,
contas que, embora no movimentadas no presente, possuem perspectiva de serem
utilizadas no futuro.


O Plano de Contas no deve ser inflexvel, mas sim permitir alteraes ao longo do
tempo, de acordo com a evoluo da empresa. Esta flexibilidade  a capacidade de o
Plano de Contas poder absorver novas contas durante o exerccio social. Isto se faz

                                                                                           82
Captulo 12  Plano de Contas                                                                     Prof. Moreira 

necessrio porque, muitas vezes, ocorrem fatos no-previstos por ocasio da sua ela-
borao, tais como: criao de novos tributos, lanamentos de novos produtos etc.

Na elaborao do Plano de Contas, devem ser levados em conta trs objetivos:

       Atender as necessidades de informao da administrao;
       Observar a Lei 6.404/76, que regula a elaborao do Balano Patrimonial e das
        demais demonstraes contbeis;
       No ser excessivamente diferente dos modelos usualmente utilizados, visando
        adaptar-se s exigncias dos agentes externos  empresa e particularmente, s
        regras da legislao do Imposto de Renda.



12.2 CODIFICAO DAS CONTAS

O Plano de Contas  numerado ou codificado de forma racional. A codificao das con-
tas  elemento indispensvel para contabilizao atravs de processos eletrnicos. O
critrio que iremos utilizar  o seguinte:


  X.        X.        X.         XX

                                          4 Grau: (dois dgitos que indicam a conta objeto de lanamento)

                                          3 Grau: (um dgito que indica o subgrupo)

                                          2 Grau: (um dgito que indica o grupo)

                                          1 Grau: (um dgito que indica a estrutura)



                                      Conta: 1.3.2.01  Terrenos


  1.        3.         2.        01

                                          4 Grau: Terrenos

                                          3 Grau: Imobilizado

                                          2 Grau: Ativo Permanente

                                          1 Grau: Ativo

                                                                                                               83
Captulo 12  Plano de Contas                                            Prof. Moreira 


12.3 DENOMINAO DAS CONTAS

A denominao de uma conta deve ser adaptada  atividade especfica de cada em-
presa. Entretanto, torna-se imprescindvel a adequada denominao das mesmas, pelo
fato de que as demonstraes contbeis no so de utilizao apenas da prpria em-
presa; so tambm analisadas por auditores, fornecedores, instituies financeiras,
Fisco etc.


Denominaes do tipo "Despesas Gerais" ou "Despesas Diversas" devem ser evitadas
tanto quanto possvel, pois geram o agrupamento em uma s conta de fatos diversos
que deveriam estar registrados em contas especficas.



12.4 MODELO DE PLANO DE CONTAS

Veja a seguir um modelo de Plano de Contas de uma empresa comercial, ou seja, uma
pessoa jurdica que compra e revende mercadorias:




  1      ATIVO
  1.1 ATIVO CIRCULANTE
  1.1.1 Disponvel
        1.1.1.01 Caixa
        1.1.1.02 Bancos Conta Movimento
        1.1.1.03 Aplicaes Financeiras de Liquidez Imediata
  1.1.2 Clientes
        1.1.2.01 Duplicatas a Receber
        1.1.2.02
        1.1.2.03
  1.1.3 Outros Crditos
        1.1.3.01 Ttulos a Receber
        1.1.3.02 Emprstimos a Empregados
        1.1.3.03
        1.1.3.04
  1.1.4 Tributos a Recuperar/Compensar
        1.1.4.01
        1.1.4.02
        1.1.4.03

                                                                                      84
Captulo 12  Plano de Contas                                                   Prof. Moreira 


          1.1.4.04
          1.1.4.05
          1.1.4.06
          1.1.4.07
  1.1.5   Estoques
          1.1.5.01 Mercadorias para Revenda
          1.1.5.02 Almoxarifado Administrativo
  1.1.6   Despesas Antecipadas
          1.1.6.01 Prmios de Seguros a Vencer
          1.1.6.02 Assinaturas e Anuidades
  1.2     ATIVO REALIZVEL A LONGO PRAZO
  1.2.1   Clientes
          1.2.1.01 Duplicatas a Receber
          1.2.1.02
          1.2.1.03
  1.2.2   Outros Crditos
          1.2.2.01 Ttulos a Receber
          1.2.2.02 Emprstimos a Scios, Administradores e Pessoas Ligadas
  1.3     ATIVO PERMANENTE
  1.3.1   Investimentos
          1.3.1.01 Participaes em outras Cias.
          1.3.1.02 Imveis no Destinados ao Uso / Imveis para Renda
          1.3.1.03 Objetos de Arte
  1.3.2   Imobilizado
          1.3.2.01 Terrenos
          1.3.2.02 Edifcios e Construes
          1.3.2.03 Mveis e Utenslios
          1.3.2.04 Mquinas e Equipamentos
          1.3.2.05 Equipamentos de Informtica
          1.3.2.06 Ferramentas
          1.3.2.07 Veculos
          1.3.2.08
          1.3.2.09 ( - ) Depreciao Acumulada de Edifcios e Instalaes
          1.3.2.10 ( - ) Depreciao Acumulada de Mveis e Utenslios
          1.3.2.11 ( - ) Depreciao Acumulada de Mquinas e Equipamentos
          1.3.2.12 ( - ) Depreciao Acumulada de Equipamentos de Informtica
          1.3.2.13 ( - ) Depreciao Acumulada de Ferramentas
          1.3.2.14 ( - ) Depreciao Acumulada de Veculos
          1.3.2.15
  1.3.3   Intangvel
          1.3.3.01 Marcas e Patentes
          1.3.3.02 Fundo de Comrcio
          1.3.3.03
                                                                                             85
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  1.3.4 Diferido
        1.3.4.01     Despesas Pr-Operacionais
        1.3.4.02     ( - ) Amortizao Acumulada de Despesas Pr-operacionais
  2      PASSIVO
  2.1 PASSIVO CIRCULANTE
  2.1.1 Emprstimos e Financiamentos
        2.1.1.01 Emprstimos Bancrios
        2.1.1.02 Financiamentos Bancrios
        2.1.1.03
  2.1.2 Fornecedores
        2.1.2.01 Fornecedores
  2.1.3 Obrigaes Tributrias
        2.1.3.01 ICMS a Recolher
        2.1.3.02 ISS a Recolher
        2.1.3.03 Proviso para Imposto de Renda
        2.1.3.04 Proviso para Contribuio Social sobre o Lucro
        2.1.3.05 Imposto de Renda na Fonte a Recolher
        2.1.3.06 PIS a Recolher
        2.1.3.07 Cofins a Recolher
        2.1.3.08
  2.1.4 Obrigaes Trabalhistas e Previdencirias
        2.1.4.01 Salrios e Ordenados a Pagar
        2.1.4.02 Pr-labore a Pagar
        2.1.4.03 INSS a Recolher
        2.1.4.04 FGTS a Recolher
        2.1.4.05 Proviso para Frias
        2.1.4.06 Proviso para 13 Salrio
        2.1.4.07
        2.1.4.08
        2.1.4.09
        2.1.4.10
        2.1.4.11
  2.1.5 Outras Obrigaes
        2.1.5.01 Contas a Pagar
        2.1.5.02 Energia Eltrica, gua e Telefone a Pagar
        2.1.5.03 Aluguis a Pagar
        2.1.5.04 Seguros a Pagar
        2.1.5.05
  2.2 PASSIVO EXIGVEL A LONGO PRAZO
  2.2.1 Emprstimos e Financiamentos
        2.2.1.01 Emprstimos Bancrios
        2.2.1.02 Financiamentos Bancrios

                                                                                             86
Captulo 12  Plano de Contas                                              Prof. Moreira 


          2.2.1.03 Dbitos com Scios, Administradores e Pessoas Ligadas
          2.2.1.04
  2.2.2   Fornecedores
          2.2.2.01 Fornecedores
  2.2.3   Outras Obrigaes
          2.2.3.01 Contas a Pagar
  2.4     PATRIMNIO LQUIDO
  2.4.1   Capital Social
          2.4.1.01 Capital Subscrito
          2.4.1.02 ( - ) Capital a Integralizar
  2.4.2   Reservas de Capital
          2.4.2.01
  2.4.3   Ajustes de Avaliao Patrimonial
          2.4.3.01
  2.4.4   Reservas de Lucros
          2.4.4.01
          2.4.4.02
          2.4.4.03
  2.4.5   Lucros ou Prejuzos Acumulados
          2.4.5.01 Lucros ou Prejuzos Acumulados
  3       CONTAS DE RESULTADO - RECEITAS
  3.1 RECEITAS OPERACIONAIS
  3.1.1 Receita Bruta de Vendas e Servios
        3.1.1.01 Receita de Vendas de Mercadorias
  3.1.2 ( - ) Dedues da Receita Bruta
        3.1.2.01 ( - ) Vendas Canceladas e Devolues
        3.1.2.02 ( - ) Descontos Incondicionais
        3.1.2.03 ( - ) ICMS
        3.1.2.04 ( - ) ISS
        3.1.2.05 ( - ) Cofins
        3.1.2.06 ( - ) PIS
  3.1.3 Receitas Financeiras
        3.1.3.01 Juros de Aplicaes Financeiras
        3.1.3.02 Descontos Obtidos
  3.2 RECEITAS NO-OPERACIONAIS
  3.2.1 Resultados No-Operacionais
        3.2.1.01 Lucros na Alienao de Imveis
        3.2.1.02 Lucros na Alienao de Mveis e Utenslios
        3.2.1.03
        3.2.1.04
  4       CONTAS DE RESULTADO - CUSTOS E DESPESAS

                                                                                        87
Captulo 12  Plano de Contas                          Prof. Moreira 



4.1. CUSTOS DAS VENDAS
4.1.1 Custo das Mercadorias Vendidas
      4.1.4.01 Custo das Mercadorias Vendidas
4.2 DESPESAS OPERACIONAIS
4.2.1 Despesas com Vendas
      4.2.1.01 Salrios e Ordenados
      4.2.1.02 Pro-Labore
      4.2.1.03 13 Salrio
      4.2.1.04 Frias
      4.2.1.05 INSS
      4.2.1.06 FGTS
      4.2.1.07 Indenizaes e Aviso Prvio
      4.2.1.08 Assistncia Mdica e Social
      4.2.1.09 Vale Refeio
      4.2.1.10 Vale Transporte
      4.2.1.11 Comisses sobre Vendas
      4.2.1.12 Propaganda e Publicidade
      4.2.1.13 Fretes e Carretos
      4.2.1.14 Despesas com Viagens e Representaes
      4.2.1.15 Despesas com Hospedagens
      4.2.1.16 Despesas com Refeies
      4.2.1.17 Aluguis
      4.2.1.18 Manuteno e Reparos
      4.2.1.19 Telefone
      4.2.1.20 Despesas Postais
      4.2.1.21 Depreciaes e Amortizaes
      4.2.1.22
      4.2.1.23
      4.2.1.24
4.2.2 Despesas Administrativas
      4.2.2.01 Salrios e Ordenados
      4.2.2.02 Pro Labore
      4.2.2.03 13 Salrio
      4.2.2.04 Frias
      4.2.2.05 INSS
      4.2.2.06 FGTS
      4.2.2.07 Indenizaes e Aviso Prvio
      4.2.2.08 Assistncia Mdica e Social
      4.2.2.09 Vale Refeio
      4.2.2.10 Vale Transporte
      4.2.2.11 Aluguis e Arrendamentos
      4.2.2.12 Aluguis de Imveis
                                                                    88
Captulo 12  Plano de Contas                               Prof. Moreira 


      4.2.2.13 Aluguis de Mquinas e Equipamentos
      4.2.2.14 Arrendamento de Imveis
      4.2.2.15 Arrendamento Mercantil ( Leasing )
      4.2.2.16 Taxas Diversas
      4.2.2.17 Energia Eltrica
      4.2.2.18 gua e Esgoto
      4.2.2.19 Telefone
      4.2.2.20 Seguros
      4.2.2.21 Material de Escritrio
      4.2.2.22 Material de Higiene e Limpeza
      4.2.2.23 Depreciaes e Amortizaes
      4.2.2.24 Livros, Jornais e Revistas
      4.2.2.25 IPTU
      4.2.2.26 IPVA
      4.2.2.27 Outras Despesas
      4.2.2.28
      4.2.2.29
      4.2.2.30
      4.2.2.31
      4.2.2.32
      4.2.2.33
      4.2.2.34
      4.2.2.35
      4.2.2.36
4.2.3 Despesas Financeiras
      4.2.4.01 Tarifas Bancrias
      4.2.4.02 Juros e Comisses Bancrias
      4.2.4.03 Descontos Concedidos
4.2.3 Outras Despesas Operacionais
      4.2.4.01
4.3 DESPESAS NO-OPERACIONAIS
4.4.1 Resultados No-Operacionais
      4.4.1.01 Perdas na Alienao de Imveis
      4.4.1.02 Perdas na Alienao de Mveis e Utenslios
      4.4.1.03
      4.4.1.04
5      CONTAS DE APURAO
5.1 APURAO DO RESULTADO DO EXERCCIO
5.1.1 Apurao do Resultado do Exerccio
      5.1.1.01 Apurao do Resultado do Exerccio




                                                                         89
Captulo 13  Dbito e Crdito                                              Prof. Moreira 




                                    CAPTULO 13
                                  DBITO E CRDITO


13.1 INTRODUO

Dbito na linguagem comum significa: dvida, situao negativa, estar devendo para
algum etc. J a palavra Crdito significa: ter crdito com algum, situao positiva,
poder comprar a prazo etc. Entretanto, na terminologia contbil, essas palavras possu-
em vrios significados, os quais raramente correspondem aos da linguagem comum.



13.2 MTODO DAS PARTIDAS DOBRADAS

Esse mtodo, de uso universal, divulgado no sculo XV (1494) na cidade de Veneza,
Itlia, pelo frade Lucca Paccioli, consiste no seguinte: "No h devedor sem que haja
credor e no h credor sem que haja devedor, sendo que cada dbito corresponde um
crdito de igual valor".


Assim, temos que, para todo fato contbil, ou seja, para todos os acontecimentos que
provocam variaes nos valores patrimoniais, devemos registrar um dbito e um crdi-
to correspondente, de mesmo valor.



13.3 NATUREZA DAS CONTAS

No Balano Patrimonial, as contas do Ativo foram naturalmente posicionadas do lado
esquerdo e as do Passivo do lado direito. Assim:


        As contas do Ativo so de natureza Devedora;
        As contas do Passivo so de natureza Credora.

                                                                                         90
Captulo 13  Dbito e Crdito                                                              Prof. Moreira 




                                           Contas Patrimoniais

                         ATIVO = DBITO                    PASSIVO = CRDITO
                              Circulante                            Circulante
                    Realizvel a Longo Prazo              Exigvel a Longo Prazo
                             Permanente                      Patrimnio Lquido


Posicionando as contas de resultado em forma de T, temos que:


        As contas de Despesas so de natureza Devedora;
        As contas de Receitas so de natureza Credora.


                                           Contas de Resultado

                                  DBITO                            CRDITO
                              Despesas                                Receitas



Para identificar facilmente a conta a ser debitada ou creditada, observe o quadro a se-
guir:


                                                                       Para o Saldo
                           Contas               Natureza
                                                              Aumentar           Diminuir
                             Ativo              Devedora              D             C
                    Ativo (retificadora)         Credora              C             D
                           Passivo               Credora              C             D
                  Passivo (retificadora)        Devedora              D             C
                          Receitas               Credora              C             D
                   Despesas e Custos            Devedora              D             C

                                            D  Debitar ou Dbito
                                            C  Creditar ou Crdito




                                                                                                         91
Captulo 13  Dbito e Crdito                                                 Prof. Moreira 



13.4 RAZONETE

O razonete tambm  conhecido pelo seu formato muito parecido com a letra "T" mai-
scula.  bastante comum a expresso "razonetes em forma de T". Veja o formato
mais comum de um razonete:




Sobre a linha horizontal coloca-se o nome da conta, normalmente acompanhado da
identificao do grupo ou subgrupo a que ela pertence, e, na maioria das vezes, sem o
nmero.


Do lado esquerdo so colocados os lanamentos a Dbito e, conseqentemente, do
lado direito, os lanamentos a crdito.


Importante, se existir saldo inicial, esse ser colocado na primeira linha da coluna a que
se referir (esquerda para saldo devedor e direita para saldo credor).


Na frente dos valores dos lanamentos na coluna de dbitos, lado esquerdo do valor,
coloca-se o nmero do lanamento entre parnteses ou dentro de uma "bolinha" e, na
coluna da direita, coloca-se o nmero do lanamento aps o valor do lanamento a
crdito, tambm entre parnteses ou dentro de uma "bolinha".


Transcritos todos os lanamentos para o razonete, fecham-se as colunas passando-se
um trao logo aps o ltimo lanamento feito, exatamente como uma soma, e logo a
seguir, na linha de baixo, coloca-se o valor obtido na soma de cada uma das colunas.


Feito isso, passa-se um outro trao abaixo das somas e apura-se o saldo por meio da
subtrao do valor maior pelo valor menor. O valor do saldo deve ficar na coluna cujo
valor da soma for maior. Assim temos:

                                                                                             92
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                                          NOME DA CONTA
                    Saldo Anterior Devedor            Saldo Anterior Credor
                            (se houver)                    (se houver)


                     Lanamentos a Dbito            Lanamentos a Crdito
                        (n.) XX.XXX,XX                 XX.XXX,XX (n.)
                        (n.) XX.XXX,XX                 XX.XXX,XX (n.)
                        Soma da Coluna                  Soma da Coluna
                          Saldo Devedor                   Saldo Credor

                    Se a soma da coluna da       Se a soma da coluna da direita
                 esquerda for maior do que a       for maior do que a soma da
                   soma da coluna da direita           coluna da esquerda



Para exemplificar, vamos colocar na forma de razonete a conta "Caixa":


                                            Caixa (AC)
                                  (AS) 1.000,00
                                  (10) 100,00
                                                    200,00 (14)
                                                    500,00 (21)
                                  (21) 1.100,00     700,00 (22)
                                         400,00



Nota: (SA) = Saldo Anterior
        (AC) = Ativo Circulante




13.5 EXEMPLO PRTICO

1) Constituio da Sociedade conforme Contrato Social devidamente registrado na
    Junta Comercial, com um Capital no valor de R$ 80.000,00 em dinheiro:

                                                                                               93
Captulo 13  Dbito e Crdito                                             Prof. Moreira 




                     Caixa (AC)                    Capital Subscrito (PL)
           (1) 80.000,00                                       80.000,00 (1)




2) Compras  vista (em dinheiro) de Mveis e Utenslios no valor de R$ 3.000,00:




              Mveis e Utenslios (AP)                    Caixa (AC)
            (2) 3.000,00                         (1) 80.000,00    3.000,00 (2)




3) Compra  vista (em dinheiro) de Automveis no valor de R$ 25.000,00:




                    Veculos (AP)                         Caixa (AC)
           (3) 25.000,00                         (1) 80.000,00    3.000,00 (2)
                                                                 25.000,00 (3)




4) Compra  vista (em dinheiro) de Mercadorias para Revenda no valor de R$
    20.000,00:




         Mercadorias para Revenda (AC)                    Caixa (AC)
          (4) 20.000,00                          (1) 80.000,00    3.000,00 (2)
                                                                 25.000,00 (3)
                                                                 20.000,00 (4)



                                                                                        94
Captulo 13  Dbito e Crdito                                                   Prof. Moreira 




5) Compras de Mercadorias a prazo, mediante aceite de Duplicatas, no valor de R$
    30.000,00:




         Mercadorias para Revenda (AC)                      Fornecedores (PC)
          (4) 20.000,00                                               30.000,00 (5)
          (5) 30.000,00




6) Pagamento de uma Duplicata, em dinheiro, no valor de R$ 10.000,00:




                 Fornecedores (PC)                              Caixa (AC)
           (6) 10.000,00   30.000,00 (5)               (1) 80.000,00    3.000,00 (2)
                                                                       25.000,00 (3)
                                                                       20.000,00 (4)
                                                                       10.000,00 (6)



Apurando-se os saldos dos razonetes, temos:


                                            Caixa (AC)
                                   (1) 80.000,00    3.000,00 (2)
                                                   25.000,00 (3)
                                                   20.000,00 (4)
                                                   10.000,00 (6)
                                   (1) 80.000,00 58.000,00 (1)
                                  (*) 22.000,00

                                          Mercadorias
                                       para Revenda (AC)
                                  (4) 20.000,00
                                  (5) 30.000,00
                                  (1) 50.000,00       (1)

                                    Mveis e Utenslios (AP)
                                   (2) 3.000,00


                                                                                              95
Captulo 13  Dbito e Crdito                                             Prof. Moreira 




                                          Veculos (AP)
                                  (3) 25.000,00



                                       Fornecedores (PC)
                                  (8) 10.000,00 30.000,00 (5)
                                                 20.000,00 (!)



                                    Capital Subscrito (PL)
                                                80.000,00 (1)




Montando o Balano Patrimonial:




                                     Balano Patrimonial


                          ATIVO                              PASSIVO
     Circulante                               Circulante
       Caixa                        22.000,00   Fornecedores            20.000,00
       Mercadorias                  50.000,00

     Permanente                                 Patrimnio Lquido
       Imobilizado                                Capital Subscrito     80.000,00
        Mveis e Utenslios          3.000,00
        Veculos                    25.000,00
     Total do Ativo                100.000,00 Total do Passivo         100.000,00




                                                                                        96
Captulo 14  Balancete de Verificao                                      Prof. Moreira 




                              CAPTULO 14
                        BALANCETE DE VERIFICAO


14.1 INTRODUO

Periodicamente, os responsveis pela contabilidade devem verificar se os lanamentos
contbeis realizados no perodo esto corretos.


Uma tcnica bastante utilizada para atingir este objetivo  o Balancete de Verificao.
Entretanto, este instrumento, embora muito til, no poder detectar todos os erros que
possam existir. O balancete, alm de auxiliar na deteco de erros, pode ser til na
tomada de decises, dada a inconvenincia de se levantar balano em perodos muito
curtos.


O balancete nada mais , do que um resumo ordenado de todas as contas utilizadas
pela contabilidade. Possui como base o mtodo das partidas dobradas: "no haver
dbito(s) sem crdito(s) correspondente(s)". Portanto, somando-se todos os dbitos,
por um lado, e todos os crditos, por outro, o total de ambos ser sempre o mesmo.
Dessa forma, descobrimos se os lanamentos a dbito e a crdito foram realizados
adequadamente ou no.




14.2 EXEMPLO DE BALANCETE

Ser apresentado a seguir um exemplo com trs lanamentos contbeis e, em seguida,
a exatido dos mesmos atravs do Balancete de Verificao.

A Cia. Mundial foi formada em Jan/2002, e foram verificadas as seguintes operaes:



                                                                                          97
Captulo 14  Balancete de Verificao                                               Prof. Moreira 

    1. Formao de Capital aplicado no Caixa: R$ 1.500.000,00
    2. Compra de Estoques a vista: R$ 500.000,00
    3. Compra de Mveis e Utenslios a vista: R$ 300.000,00




                     Caixa (AC)                                Capital Subscrito (PL)
           (1) 1.500.000     500.000 (2)                                   1.500.000 (1)
                             300.000 (3)                                   1.500.000 (!)

               1.500.000            800.000 (2)
                 700.000




              Mveis e Utenslios (AP)                              Estoques (AC)
            (3) 300.000                                       (2) 500.000
                300.000                                           500.000




                             Balancete de Verificao em 31/01/2002
                                               Cia. Mundial
                                               Movimento              Saldos
                  Contas
                                           Dbito    Crdito Devedores Credores
         Caixa                            1.500.000   800.000    700.000
         Capital Subscrito                          1.500.000               1.500.000
         Mveis e Utenslios                300.000              300.000
         Estoques                           500.000              500.000
                  Total                   2.300.000 2.300.000 1.500.000    1.500.000




O modelo de balancete supra, contm o movimento a dbito e a crdito de cada conta
e o respectivo saldo. O modelo a seguir contm apenas os saldos. Ambas as formas
podem ser utilizadas.  exigido que o balancete contenha, no mnimo, os saldos das
contas, ou seja, o movimento a dbito e a crdito no  exigido.




                                                                                                  98
Captulo 14  Balancete de Verificao                                          Prof. Moreira 




                                                         Saldos
                                  Contas
                                                 Devedores Credores
                         Caixa                      700.000
                         Capital Subscrito                     1.500.000
                         Mveis e Utenslios        300.000
                         Estoques                   500.000
                                  Total          1.500.000    1.500.000


Dependendo da necessidade da empresa, o balancete pode conter seis colunas, apre-
sentando os saldos do balancete anterior, os movimentos e os saldos atuais:

                  Saldos do ms ante-                               Saldos do final do
                                                  Movimento
   Contas                 rior                                             ms
                 Devedores Credores            Dbito   Crdito    Devedores Credores
 Caixa
 Capital


As contas com saldo zero podem ou no constar do balancete, de acordo com os inte-
resses dos usurios.



14.3 IDENTIFICAO DO ERRO

Se a soma dos dbitos no  igual  soma dos crditos, os registros contbeis esto
incorretos. O contador, por sua vez, dever averiguar onde est o erro, o quem nem
sempre  uma tarefa fcil, pois  um trabalho de pesquisa junto aos lanamentos con-
tbeis realizados. Havendo diferenas no balancete, no se deve prosseguir o trabalho
at solucionar o problema. Pode-se depreender, tambm, que quanto menor for o per-
odo de abrangncia do balancete, mais eficiente ser a contabilidade.



14.4 ERROS NO DETECTADOS

Se no exemplo anterior, a conta de Mveis e Utenslios corresponder a compra de M-
quinas de Equipamentos, temos um lanamento efetuado em conta indevida, sendo
que este tipo de erro no  identificado, pois os totais do balancete so idnticos.

                                                                                             99
Captulo 14  Balancete de Verificao                                     Prof. Moreira 

Outro tipo de erro no evidenciado  a inverso num lanamento, de dbito por crdito
e de crdito por dbito, simultaneamente. Como exemplo, numa operao em que de-
vesse ser debitada a conta Estoques e creditada a conta Bancos, o contador invertes-
se: debitasse Bancos e creditasse Estoques, os totais do balancete seriam os mesmos,
mas o lanamento estaria incorreto.




                                                                                        100
Captulo 15  Apurao do Resultado                                       Prof. Moreira 




                               CAPTULO 15
                          APURAO DO RESULTADO


15.1 CONTAS DE RESULTADO

Contas de Resultado so basicamente as contas de Receitas, Custos e Despesas, que
periodicamente (normalmente anualmente) so confrontadas para apurar-se o Lucro
(Receitas > Despesas) ou Prejuzo (Despesas > Receitas).



                                       Despesas de Salrios
                                        16.000


                                           Despesas de
                                       Materiais de Escritrio
                                         7.000




                                       Receita de Vendas de
                                           Mercadorias
                                                    45.000




15.2 CONTABILIZAO DAS CONTAS DE RESULTADO

 fcil compreender que toda Receita aumenta o Lucro, ou seja, quanto maior a Recei-
ta, maior o lucro. Sendo o Lucro uma conta do Passivo (Patrimnio Lquido), podemos
concluir ainda que, quanto maior a Receita, maior ser o Patrimnio Lquido. Ora, as
regras de contabilizao definem que o Passivo deve ser creditado pelos aumentos e
debitado pelas diminuies. Portanto, se toda receita aumenta o Patrimnio Lquido,

                                                                                       101
Captulo 15  Apurao do Resultado                                         Prof. Moreira 

toda receita dever ser creditada (primeira regra). Inversamente  Receita, toda Des-
pesa ou Custo reduz o lucro, e conseqentemente o Patrimnio Lquido. Se toda des-
pesa ou custo reduz o Patrimnio Lquido, ambas devem ser debitadas.




                                       Contas de Receita

                                       Diminui   Aumenta
                                                    +




                                       Contas de Despesa

                                       Aumenta    Diminui
                                          +          




15.3 LANAMENTOS DE ENCERRAMENTO

A tcnica  muito simples:


       Abre-se uma conta transitria com o ttulo de "Apurao do Resultado do Exer-
        ccio (ARE)";
       Transfere-se os saldos das contas de Receitas e Despesas para a Conta de Re-
        sultados (ARE). Nesta transferncia encerram-se as contas de Receita e Despe-
        sa (assim para o ano seguinte, inicia-se a acumulao de despesa e receita no-
                                                                                         102
Captulo 15  Apurao do Resultado                                          Prof. Moreira 

        vamente). Para encerrar as contas de despesas, basta creditar valor idntico (a
        contrapartida ser dbito de ARE). Para encerrar a conta de Receita, basta debi-
        tar valor idntico (a contrapartida ser crdito de ARE).




15.4 APURAO DO RESULTADO

Se toda receita for maior que o total de despesas, haver lucro; caso contrrio, preju-
zo. O saldo maior no lado da receita indica contabilmente lucro:



                                       Apur. Res. Exerccio
                    (Despesas)
                                        16.000      45.000    (Receita)
                                         7.000
                                        23.000      45.000
                                                    22.000    (Saldo)




15.5 CONTABILIZAO DO RESULTADO

A conta ARE (Apurao do Resultado do Exerccio)  meramente transitria, servindo
nica e exclusivamente para a apurao do Resultado do Exerccio. Dessa forma, esta

                                                                                           103
Captulo 15  Apurao do Resultado                                         Prof. Moreira 

conta no figura no Balano Patrimonial, e o seu saldo deve ser transferido para uma
outra conta: Lucros Acumulados.


Para zerar a conta ARE, devo debit-la pelo valor total. Com esse lanamento a dbito,
encerra-se a conta Resultados (ARE), uma vez que j cumpriu sua misso: confrontar
despesa com receita e apurar o resultado (Lucro ou Prejuzo). Pelo mtodo das parti-
das dobradas sabe-se que para todo dbito h um crdito correspondente de mesmo
valor, assim credita-se a conta Lucros Acumulados.




Se houvesse prejuzo, o saldo da conta ARE seria devedor; portanto o lanamento se-
ria ao contrrio: crdito da conta ARE e dbito de Prejuzos Acumulados. Exemplo:




A conta de Prejuzos Acumulados faz parte do Patrimnio Lquido com sinal negativo
(18.600), ou seja, reduz os investimentos dos proprietrios.




                                                                                         104
Captulo 15  Apurao do Resultado                                         Prof. Moreira 



15.6 ESTUDO DE CASO


15.6.1 Lanamentos nos Razonetes

    a) Em 02/12/01 a empresa Mac Bond Ltda. constitui-se com Capital no valor de R$
        50.000,00, realizado em dinheiro:


                     Caixa (AC)                       Capital Subscrito (PL)
              (a) 50.000                                           50.000 (a)




    b) Em 02/12/01 a empresa depositou no banco o valor de R$ 45.000,00, ficando
        com uma reserva em caixa de R$ 5.000,00:


            Bancos c/ Movimento (AC)                        Caixa (AC)
             (b) 45.000                             (a) 50.000      45.000 (b)




    c) Em 03/12/01 a empresa adquiriu, a prazo, 1000 Kg de mercadorias para reven-
        da no valor total de R$ 3.000,00 (no considerar impostos):



        Mercadorias para Revenda (AC)                  Fornecedores (PC)
            (c) 3.000                                             3.000 (b)




    d) Em 04/12/01 a empresa comprou 500 Kg de mercadorias para revenda no valor
        de R$ 1.500,00, pago atravs de emisso de cheque (no considerar impostos):



                                                                                         105
Captulo 15  Apurao do Resultado                                      Prof. Moreira 



        Mercadorias para Revenda (AC)           Bancos c/ Movimento (AC)
           (c) 3.000                             (b) 45.000    1.500 (d)
          (d) 1.500




    e) Em 09/12/01 comprou uma mquina no valor de R$ 1.500,00, pago atravs de
        cheque:


                   Mquinas (AP)                Bancos c/ Movimento (AC)
             (e) 1.500                           (b) 45.000    1.500 (d)
                                                               1.500 (e)




    f) Em 10/12/01 pagou aluguel no valor de R$ 1.000,00, por meio de emisso de
        cheque:


                    Aluguis (DA)               Bancos c/ Movimento (AC)
             (f) 1.000                           (b) 45.000    1.500 (d)
                                                               1.500 (e)
                                                               1.000 (f)




    g) Em 15/12/01 pagou atravs de emisso de cheque, R$ 3.000,00 ao primeiro for-
        necedor:


                 Fornecedores (PC)              Bancos c/ Movimento (AC)
             (g) 3.000       3.000 (c)           (b) 45.000    1.500 (d)
                                                               1.500 (e)
                                                               1.000 (f)
                                                               3.000 (g)



    h) Em 16/12/01 vendeu 300 kg de mercadorias em estoque ao preo de R$
        1.300,00 (Obs.: O CMV  Custo das Mercadorias Vendidas  de R$ 900,00), a
        vista (no considerar impostos):

                                                                                      106
Captulo 15  Apurao do Resultado                                         Prof. Moreira 




        Pelo Reconhecimento da Receita (Princpio de Competncia):


                     Caixa (AC)                       Receita de Vendas (R)
            (a) 50.000       45.000 (b)                             1.300 (h)
            (h) 1.300




        Pela baixa nos estoques:


             Custo das Mercadorias                 Mercadorias para Revenda
                   Vendidas (C)                               (AC)
             (h) 900                                (c) 3.000       900 (h)
                                                    (d) 1.500




    i) Em 19/12/01 fez um saque no valor de R$ 2.500,00, para reforar o caixa:


                    Caixa (AC)                     Bancos c/ Movimento (AC)
           (a) 50.000       45.000 (b)             (b) 45.000     1.500 (d)
           (h) 1.300                                              1.500 (e)
           (i) 2.500                                              1.000 (f)
                                                                  3.000 (g)
                                                                  2.500 (i)



    j) Em 20/12/01 pagou atravs de transferncia bancria, Comisses aos vendedo-
        res no valor de R$ 300,00, referentes a venda realizada:


                   Comisses (DV)                  Bancos c/ Movimento (AC)
              (j) 300                              (b) 45.000     1.500 (d)
                                                                  1.500 (e)
                                                                  1.000 (f)
                                                                  3.000 (g)
                                                                  2.500 (i)
                                                                     300 (j)



                                                                                         107
Captulo 15  Apurao do Resultado                                         Prof. Moreira 

    k) Em 30/12/01 pagou salrios do pessoal do escritrio no valor de R$ 2.750,00, a-
        travs de transferncia bancria:


                   Salrios (DA)                   Bancos c/ Movimento (AC)
            (k) 2.750                              (b) 45.000     1.500 (d)
                                                                  1.500 (e)
                                                                  1.000 (f)
                                                                  3.000 (g)
                                                                  2.500 (i)
                                                                    300 (j)
                                                                  2.750 (k)



    l) Em 30/12/01 pagou honorrios do Contador no valor de R$ 150,00, com dinheiro
        do Caixa:


             Assistncia Contbil (DA)                      Caixa (AC)
              (l) 150                               (a) 50.000      45.000 (b)
                                                    (h) 1.300          150 (l)
                                                    (i) 2.500




15.6.2 Primeiro Balancete de Verificao


                                                          Saldos
                                 Contas
                                                  Devedores Credores
                 Caixa                              8.650,00            -
                 Bancos conta Movimento            32.450,00            -
                 Mercadorias para Revenda           3.600,00            -
                 Mquinas                           1.500,00            -
                 Fornecedores                              -            -
                 Capital Subscrito                         -   50.000,00
                 Receita de Vendas                         -     1.300,00
                 Custo das Mercadorias Vendidas       900,00            -
                 Aluguis                           1.000,00            -
                 Assistncia Contbil                 150,00            -
                 Comisses                            300,00            -
                 Salrios                           2.750,00            -
                              Total                51.300,00   51.300,00

                                                                                         108
Captulo 15  Apurao do Resultado                                                    Prof. Moreira 


15.6.3 Lanamentos de Encerramento



              Custo das Mercadorias                             Comisses (DV)
                   Vendidas (C)
               900            900 (a)                         300            300 (d)




                  Aluguis (DA)                                  Salrios (DA)
              1.000          1.000 (b)                       2.750          2.750 (e)




            Assistncia Contbil (DA)                        Receita de Vendas (R)
              150            150 (c)                        (f) 1.300       1.300




                                            ARE (Transitria)
                                       (a) 900          1.300 (f)
                                       (b) 1.000
                                       (c) 150
                                       (d) 300
                                       (e) 2.750
                                         5.100            1.300
                                         3.800




15.6.4 Contabilizao do Resultado



           Prejuzos Acumulados (PL)                           ARE (Transitria)
            (g) 3.800                                          900           1.300
                                                             1.000
                                                               150
                                                               300
                                                             2.750
                                                             5.100           1.300
                                                             3.800         3.800 (g)



                                                                                                    109
Captulo 15  Apurao do Resultado                                            Prof. Moreira 


15.6.5 Balancete Final

                                                            Saldos
                                 Contas
                                                    Devedores Credores
                 Caixa                                8.650,00           -
                 Bancos conta Movimento              32.450,00           -
                 Mercadorias para Revenda             3.600,00           -
                 Mquinas                             1.500,00           -
                 Fornecedores                                -           -
                 Capital Subscrito                           -   50.000,00
                 Prejuzos Acumulados                 3.800,00
                              Total                  50.000,00   50.000,00




15.6.6 Demonstrao do Resultado e Balano Patrimonial

                      Receita Bruta                                    1.300
              (-)     Impostos sobre Vendas                                -
              (-)     Devolues                                           -
              (-)     Abatimentos e Descontos Incondicionais               -
                      Receita Lquida                                  1.300
              (-)     Custo das Vendas                                 (900)
                      Lucro Bruto                                        400
              (-)     Despesas Comerciais                              (300)
              (-)     Despesas Administrativas                       (3.900)
              ()     Despesa Financeira Lquida                           -
                      Resultado Operacional                          (3.800)
              (-)     Despesas no Operacionais                            -
              (+)     Receitas no Operacionais                            -
                      Resultado Antes do IR e CS                     (3.800)
              (-)     Proviso para IR                                     -
              (-)     Proviso para Contribuio Social                    -
                      Resultado Antes das Participaes              (3.800)
              (-)     Participaes
                      Prejuzo Lquido                               (3.800)




                                                                                            110
Captulo 15  Apurao do Resultado                                           Prof. Moreira 




                         ATIVO                                PASSIVO
     Circulante
       Caixa                            8.650,00
       Bancos c/ Movimento             32.450,00
       Mercadorias p/ Rev.              3.600,00

     Permanente                                  Patrimnio Lquido
       Imobilizado                                 Capital Subscrito      50.000,00
        Mquinas                        1.500,00   Prejuzos Acumulados   (3.800,00)


     Total do Ativo                    46.200,00 Total do Passivo         46.200,00




                                                                                           111
Captulo 16  Escriturao Contbil                                           Prof. Moreira 




                                 CAPTULO 16
                            ESCRITURAO CONTBIL


16.1 LIVRO DIRIO

O livro Dirio  o registro bsico de toda escriturao contbil, obrigatrio em todas as
empresas. Seu uso est previsto na Legislao Comercial (artigo 11 do Cdigo Comer-
cial Brasileiro  Lei n. 556 de 25/06/1850), na Legislao Tributria (artigo 258 do Re-
gulamento do Imposto de Renda  RIR/99), bem como nas Normas Brasileiras de Con-
tabilidade (item 2.1.5 da NBC-T-2  da Escriturao Contbil). No Dirio so lanados
dia a dia todos os acontecimentos que ocorrem na empresa e que provocam modifica-
es no Patrimnio, bem como aqueles que possam vir a modificar futuramente o Pa-
trimnio.


Formalidades extrnsecas (ou externas):


        Encadernado com folhas numeradas seguidamente e conter, respectivamente,
         no anverso da primeira e no verso da ltima folha numerada, os termos de aber-
         tura e de encerramento;
        Autenticado pelo rgo competente, ou seja, pela Junta Comercial, no caso de
         empresa comercial, ou pelo Cartrio de Registro Civil de Pessoas Jurdicas, no
         caso de empresa exclusivamente prestadora de servios (sociedade civil).


Formalidades intrnsecas (ou internas):


        A escriturao ser completa, em idioma e moeda corrente nacionais, com indi-
         viduao e clareza;
        Ordem cronolgica de dia, ms e ano;
        Inexistncia de intervalos em branco, entrelinhas, borraduras, rasuras, emendas
         etc.
                                                                                            112
Captulo 16  Escriturao Contbil                                                                                               Prof. Moreira 




                      TERMO DE ABERTURA                                             TERMO DE ENCERRAMENTO

           Contm este livro .... (..................) folhas,                 Contm este livro .... (..................) folhas,
           numeradas de ..... a ...., e servir de                             numeradas de ..... a ...., e serviu de Livro
           Livro DIRIO n. ..... da empresa                                   DIRIO             n.        .....   da     empresa
           ................................, estabelecida com o                ................................, estabelecida com o
           ramo de ........................., com sede na                      ramo de ........................., com sede na
           Rua ......................... n. ........,      bairro             Rua ......................... n. ........,      bairro
           .....................,            Municpio         de              .....................,             Municpio        de
           ......................., Estado de ..........., cujos               ......................., Estado de ..........., cujos
           atos constitutivos foram arquivados na                              atos constitutivos foram arquivados na
           Junta Comercial do ........................... em                   Junta Comercial do ........................... em
           ..../...../......, NIRE n. ................. e inscri-             ..../...../......, NIRE n. ................. e inscri-
           o no CNPJ sob n. ........................                        o no CNPJ sob n. ........................

           ....................., ....... de .............. de .........       ....................., ....... de .............. de .........

           _________________________________                                   _________________________________
            Titular, administrador ou representante                             Titular, administrador ou representante
                       legal da empresa                                                    legal da empresa

           _________________________________                                   _________________________________
                    Contabilista - CRC                                                  Contabilista - CRC




                                                               Livro Dirio


   Data        Ttulos das Contas e Histrico                              Cdigo Conta               Dbito                    Crdito




                                                                                                                                               113
Captulo 16  Escriturao Contbil                                            Prof. Moreira 


16.2 LIVRO RAZO

A Escriturao do livro Razo passou a ser obrigatria a partir de 1991 (art. 14 da Lei
8.218 de 29/08/1991). O livro Razo  utilizado para resumir e totalizar, por conta, os
lanamentos efetuados no livro Dirio. Reflete exatamente aquilo que foi lanado no
livro Dirio, mas de forma individualizada (por conta).


Este livro  um dos mais importantes instrumentos da escriturao contbil da empre-
sa, porque fornece a totalizao das contas individualmente, mostrando os totais lan-
ados a dbito e a crdito de cada conta e o saldo desta.


O livro Razo  dispensado de autenticao na Junta Comercial (ou no Cartrio de Re-
gistro Civil de Pessoas Jurdicas).



     Conta:
     Cdigo:
                                                                        RAZO

         Data                  Histrico       Dbito       Crdito    Saldo        D/C




16.3 ESCRITURAO POR PROCESSAMENTO ELETRNICO

O Dirio e Razo podem ser escriturados por sistema de processamento de dados,
desde que sejam observadas as seguintes regras:


         As folhas impressas devero ser numeradas, em ordem seqencial;
         Aps o processamento, os impressos devero ser destacados e encadernados
          em forma de livro, seguindo-se a lavratura dos termos de abertura e de encer-



                                                                                            114
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         ramento e a apresentao ao rgo competente para autenticao (para os li-
         vros em relao aos quais seja exigida a autenticao).



16.4 VANTAGENS DA ESCRITURAO CONTBIL

Podemos listar as seguintes vantagens de uma entidade manter escriturao contbil:


        Oferece maior controle financeiro e econmico  entidade;
        Comprova em juzo fatos cujas provas dependam de percia contbil;
        Contestao de reclamatrias trabalhistas quando as provas a serem apresen-
         tadas dependam de percia contbil;
        Imprescindvel no requerimento de recuperao judicial (Lei 11.101/2005);
        Evita que sejam consideradas fraudulentas as prprias falncias, sujeitando os
         scios ou titulares s penalidades da Lei que rege a matria;
        Base de apurao de lucro tributvel e possibilidade de compensao de preju-
         zos fiscais acumulados;
        Facilita o acesso s linhas de crdito;
        Distribuio de lucros como alternativa de diminuio de carga tributria;
        Prova a scios que se retiram da sociedade a verdadeira situao patrimonial,
         para fins de apurao de haveres ou venda de participao;
        Prova, em juzo, a situao patrimonial na hiptese de questes que possam e-
         xistir entre herdeiros e sucessores de scio falecido;
        Para o administrador, supre exigncia do Novo Cdigo Civil Brasileiro quanto 
         prestao de contas (art. 1.020).



16.5 PADRONIZAO DE HISTRICOS

Se no forem previamente definidos, os histricos dos lanamentos contbeis podem
acarretar grande desperdcio de tempo, sobretudo pela diversificao de expresses
utilizadas para um mesmo tipo de lanamento. O ideal  que toda vez que seja feito um
lanamento, sobretudo os mais rotineiros, seja utilizado o mesmo histrico. O melhor



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procedimento para tanto  a implantao de histricos padronizados, cuja finalidade  a
utilizao de expresses iguais para o registro de fatos semelhantes.


A ttulo ilustrativo segue relao de histricos para um sistema de escriturao contbil,
lembrando que esta relao no  exaustiva, ou seja, no abrange todas as hipteses
de lanamentos contbeis que ocorrem na prtica:


   Cdigo                                         Descrio
                  Valor referente ao cheque n ____, do Banco ______, utilizado para suprimen-
        1
                  to de caixa, conforme ____________
        2         Valor referente ao pagamento de ____________, conforme ____________
        3         Valor referente ao recebimento de _____________, conforme ___________
                  Valor referente ao cheque n ______, do Banco _____, utilizado para paga-
        4
                  mento da duplicata n ______
                  Valor referente ao cheque n ______, do Banco _____, utilizado para ______,
        5
                  conforme _____________
        6         Valor referente  aplicao em ______, conforme __________
                  Valor referente  venda de mercadorias por meio de nossa Nota Fiscal n
        7
                  _____, com recebimento a vista, em dinheiro
                  Valor referente  venda de mercadorias por meio de nossa Nota Fiscal n
        8         _____, a prazo, conforme nossa Fatura/Duplicata n _____, com vencimento
                  para ___/___/_____
                  Valor referente ao recebimento de nossa duplicata n _____, vencida em
        9
                  ___/___/_____, conforme _____________
                  Valor referente ao desconto de nossas duplicatas, conforme border n _____,
       10
                  enviado ao banco ______
       11         Valor referente ao aviso de dbito do banco _______, relativo a ___________
       12         Valor referente  aquisio de _______, conforme ____________
       13         Valor referente ao ICMS sobre _______, conforme ____________
       14         Valor referente ao IPI sobre ________, conforme ____________
       15         Valor referente  contribuio ao PIS do ms de ____________
       16         Valor referente  COFIS do ms de ___________
       17         Valor referente ao IRRF sobre ____________
       18         Valor referente  compra de _____________, conforme ____________
                  Valor referente  aplice n __________, de emisso de _________, relativa
       19
                  ao seguro de __________
       20         Valor referente aos encargos de depreciao relativos ao ____________
       21         Valor referente  folha de pagamento do ms de ____________
                  Valor referente ao desconto do INSS sobre a folha de pagamento do ms de
       22
                  _______
       23         Valor referente ao FGTS sobre a folha de pagamento do ms de _________




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16.6 RESPONSABILIDADE PELA ESCRITURAO

A escriturao contbil das pessoas jurdicas deve ficar sob a responsabilidade de con-
tabilista legalmente habilitado nos termos da legislao especfica. A habilitao profis-
sional pressupe, alm da formao escolar, o registro no CRC.

As demonstraes contbeis obrigatrias devem ser assinadas pelos scios ou admi-
nistradores e pelo Contabilista responsvel pela escriturao.




                                                                                             117
Bibliografia                                                                Prof. Moreira 




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COFINS no-cumulativos e alteraes do novo Cdigo Civil. 13. ed. So Paulo: Editora
Frase, 2006.


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ra Campus, 2006.


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contbil. 5. ed. So Paulo: Atlas, 2004.


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nanceira. So Paulo: Thomson, 2004.


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Contabilidade das Sociedades por Aes: aplicvel s demais sociedades. 6. ed. So
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